Acre prevê perdas de R$ 202 milhões na agropecuária devido ao El Niño

A Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (Seagri) elaborou um estudo que projeta perdas significativas na agropecuária do estado devido ao fenômeno climático El Niño. O relatório, produzido pela Diretoria de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio, estima um impacto de R$ 202 milhões no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, o que corresponde a 4,1% da previsão para 2026.
O documento alerta que os efeitos adversos deverão ser mais sentidos nas colheitas de 2027, com reduções de produtividade em culturas como milho, feijão e café. Segundo Thiago de Almeida Alencar, diretor da Seagri, os prejuízos se dividem em R$ 115 milhões nas lavouras e R$ 87 milhões na pecuária. Estima-se que cerca de 15,9 mil famílias agricultoras sejam afetadas, principalmente nas regiões mais vulneráveis do estado.
Além disso, o estudo indica que a produção de leite poderá sofrer uma retração de até 10%, e a oferta de alimentos pode ser comprometida, elevando os custos de produtos como farinha, banana e hortaliças. O levantamento foi fundamentado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nas consequências observadas em eventos de El Niño anteriores.
Para mitigar os efeitos da estiagem, o governo do Estado já implementou diversas ações emergenciais, incluindo a distribuição de cestas básicas e água potável, além de programas que garantem a comercialização da agricultura familiar. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) destina R$ 11,27 milhões para 1.898 produtores, enquanto o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PEAA) investe R$ 4,1 milhões para 311 famílias.
A Seagri também está investindo cerca de R$ 37 milhões em medidas estruturais para fortalecer a segurança hídrica nas propriedades rurais, como a construção de caixas d’água e a perfuração de poços. Nos últimos quatro anos, foram mecanizados aproximadamente 22 mil hectares e construídos 4,2 mil açudes e tanques para armazenamento de água.
As ações futuras incluem intensificação do monitoramento das perdas, distribuição de sementes para replantio e apoio na renegociação de créditos rurais. A secretaria também está desenvolvendo uma metodologia própria para avaliar os impactos climáticos além das fronteiras, a fim de entender como eventos extremos em países vizinhos, como Bolívia e Peru, podem afetar a produção e os mercados do Acre.
Por fim, a Seagri busca alternativas tecnológicas para aumentar a segurança hídrica, estabelecendo parcerias com especialistas em irrigação, incluindo o escritório de projetos da Embaixada de Israel, para adaptar soluções às condições do estado.
Com informações de Agência de Notícias do Acre.
