A CONVENÇÃO QUE DERRUBOU O DISCURSO DO DISTANCIAMENTO

Publicado em: 03/08/2026 10:38
A CONVENÇÃO QUE DERRUBOU O DISCURSO DO DISTANCIAMENTO
Durante meses, Adailton Fúria tentou caminhar sobre uma linha conveniente: receber o apoio do governo Marcos Rocha sem carregar o desgaste da atual gestão. Dizia que não era “candidato do governo”, apenas um candidato apoiado pelo governador. Uma diferença cuidadosamente ensaiada para caber no discurso eleitoral.
Mas a convenção do PSD, realizada neste sábado, 1º de agosto, na Vila Privilège, antiga Talismã 21, derrubou essa narrativa no próprio palanque.
Luana Rocha foi direta ao apresentar Fúria como a continuidade do governo Marcos Rocha. O governador também fez questão de reforçar que seu projeto tem sucessor, nome e sobrenome. Aquilo de que Fúria tentava se afastar foi colocado em seu colo pelos próprios donos da aliança.
O problema é que continuidade não significa herdar somente placas, anúncios e fotografias. Significa carregar o desgaste de uma gestão desaprovada por 50% da população, além das críticas à saúde precária, à infraestrutura deficiente e às péssimas condições das estradas estaduais.
O simbolismo ficou ainda mais forte porque Marcos Rocha passou dias em viagem à China, retornou e entrou de férias. Depois de um período de pouca presença pública no Estado, reapareceu justamente na convenção partidária para apresentar seu escolhido. Pelo visto, a agenda política conseguiu fazer o que os problemas de Rondônia não conseguiram: trazer o governador de volta ao palco.
A convenção oficializou mais que uma candidatura. Oficializou uma herança política. Agora, Fúria terá dificuldade para pedir os votos da continuidade e, ao mesmo tempo, negar o governo que o escolheu.

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