A crise hídrica em Rondônia é real e o quadro é de nuvens negras

Publicado em: 03/11/2026 10:29

Eu cresci ouvindo que o rio Madeira era grande demais para secar. Hoje, quando olho para ele, vejo bancos de areia onde antes havia correnteza, e confesso que isso me inquieta.

Em 2016, o rio chegou a 2,32 m em Porto Velho. Em 2020, a 1,88 m. Em 2023, ao menor nível em 56 anos. Em 2024, a apenas 25 cm, algo nunca visto. Agora, em 2026, com o El Niño já em curso, Porto Velho decretou emergência outra vez: cerca de 22,9 mil pessoas, em 85 localidades, sofrem com a estiagem.

Eu me pergunto quem são essas pessoas. Famílias ribeirinhas com poços secos, isoladas, esperando a água chegar em fardos. Crianças, idosos, comunidades indígenas. Peixes morrendo em lagoas sem oxigênio. Uma cidade coberta de fumaça.

As projeções indicam que o El Niño de 2026/27 pode ser o mais forte desde 1950. O Cemaden lembra que o impacto varia de região para região, e eu respeito essa cautela. Mas prefiro errar pela prevenção a acertar pela tragédia.

Reconheço que existe comitê de crise e que há decretos. Ainda assim, eu pergunto: quando a emergência vira rotina, ela ainda é emergência? Seguimos reagindo, seca após seca. Falta um plano permanente, com prazo, orçamento e metas.

E soluções existem. No Semiárido, o programa de cisternas já construiu mais de 568 mil unidades e beneficiou mais de 2 milhões de pessoas. No Texas, a chuva passa por filtros e luz ultravioleta antes de ser consumida, e uma residência guarda cerca de 131 mil litros, o bastante para atravessar um ano de seca. Água de chuva só é potável se tratada e analisada, mas o caminho existe.

Em Rondônia, chove muito na estação chuvosa. Eu só queria saber onde vamos guardar essa água quando ela voltar.

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