Aliado de Trump diz que indicado à embaixada dos EUA “ama o Brasil”

Publicado em: 07/08/2026 16:16
Daniel Perez de terno azul durante audiência no Senado dos Estados Unidos
Daniel Perez, indicado por Donald Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, durante audiência no Senado americano. Foto: Reprodução

O senador republicano Rick Scott, da Flórida, afirmou que Daniel Perez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a embaixada no Brasil, “ama o Brasil” e não pretende interferir nas eleições brasileiras. A declaração ocorre enquanto a indicação alimenta um impasse diplomático entre Brasília e Washington.

Aliado de Trump e amigo pessoal de Perez, Scott disse a jornalistas na quinta (5) que o indicado está “muito focado em resultados”. Na avaliação do senador, a missão de Perez deve priorizar a cooperação entre os governos e a ampliação do comércio bilateral.

Questionado sobre a preocupação do governo Lula de que a indicação possa representar uma tentativa de influência na disputa presidencial brasileira, Scott rejeitou essa hipótese. “Ele não tem interesse em se envolver nas eleições brasileiras, assim como nós não queremos nenhum outro país envolvido nas nossas eleições”, disse.

O republicano acrescentou que Perez defende eleições “livres e justas” em qualquer democracia. Scott afirmou esperar que, depois da confirmação pelo Senado americano, Brasília receba o diplomata indicado.

Donald Trump e Rick Scott. Foto: Butch Dill/AP

Impasse envolve agrément e visto de embaixadora brasileira

O Brasil ainda não concedeu o agrément, aval diplomático necessário para a nomeação de Perez. Em meio à pendência, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, ampliando a tensão entre os dois países.

Scott evitou apontar responsáveis pela crise e apresentou a possível chegada de Perez como uma oportunidade de aproximação. “Será uma situação de ganha-ganha. Ele quer um relacionamento melhor entre o governo do Brasil e os EUA e quer mais comércio entre os dois países”, afirmou.

O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, criticou a condução da Casa Branca. Para ele, as tarifas impostas ao Brasil e as medidas diplomáticas adotadas depois não tiveram motivação comercial, mas política, por estarem relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Kaine afirmou que as retaliações prejudicaram a confiança entre os governos e defendeu uma negociação entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler Mauro Vieira. Embora critique Trump, o democrata votou pela confirmação de Perez no Comitê de Relações Exteriores; a votação no plenário do Senado, esperada para quinta-feira, deve ocorrer nesta sexta-feira (7).

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