Atletas Campeãs, Ônibus precário e governo omisso

Publicado em: 30/07/2026 16:07

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Atletas Campeãs, Ônibus precário e governo omisso Transporte operacionalizado foi viabilizado pelo Conselho Escolar/ PVHRO1

 

PORTO VELHO / JI-PARANÁ — A dedicação sobre-humana de jovens atletas rondonienses contrasta dramaticamente com o abandono institucional do Governo do Estado de Rondônia. Meninas que carregam nos ombros o título de campeãs e o sonho de levar a bandeira do estado para os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) estão sendo obrigadas a superar não apenas os limites do próprio corpo, mas também a insensibilidade da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL).

​Para competir na tradicional Copa Eurly Kang Tourinho, realizada em Ji-Paraná — etapa essencial para a obtenção de índices classificatórios para os JEBs —, as ginastas vivem uma rotina extenuante. São até 6 horas diárias de treinos ininterruptos, de segunda a sábado, sob calor intenso, repetindo movimentos à exaustão em busca da perfeição técnica. Um esforço heroico para representar Rondônia em competições estaduais e nacionais que, infelizmente, não encontra eco nos gabinetes governamentais.

​Indignação dos pais e prioridades distorcidas

​A postura da SEJUCEL e do Governo do Estado provocou uma onda de profunda indignação entre os pais e responsáveis pelas atletas. Sem o suporte básico de logística, transporte digno e auxílio aos esportistas por parte da pasta estadual, a carga financeira e operacional recai inteiramente sobre as famílias, que se veem obrigadas a realizar rifas, vaquinhas e desdobramentos orçamentários pessoais para que as filhas não percam o resultado de meses de preparação.

​A cobrança recai diretamente sobre a gestão do Governador Marcos Rocha e o titular da SEJUCEL. Em um estado com orçamento bilionário, questiona-se publicamente: para onde estão sendo direcionados os recursos públicos destinados ao incentivo do esporte de rendimento e à formação de jovens talentos? A destinação de verbas estaduais para eventos pontuais sem impacto social duradouro contrasta criticamente com a escassez de recursos para modalidades olímpicas de base que trazem visibilidade e orgulho ao povo rondoniense.

​”Nossas filhas entregam a infância e a juventude nos treinos, treinando 36 horas por semana para honrar o nome do Estado. Na hora em que precisamos do transporte ou do apoio mínimo da SEJUCEL, a resposta é a omissão. É um desrespeito com essas meninas e com as famílias”, desabafa um dos pais revoltados com a situação.

​A resistência: Conselho Esportivo Dom Pedro I e a técnica Francimeire Lavareda

​Se o brilho da ginástica rítmica rondoniense ainda resiste, isso se deve à união da comunidade escolar e ao empenho técnico incansável na base. É preciso exaltar a atuação fundamental do Conselho Esportivo Dom Pedro I, que não mede esforços para garantir espaço, acolhimento e suporte logístico mínimo dentro de suas possibilidades para manter a modalidade viva na capital.

​Outro pilar indiscutível dessa jornada é o trabalho abnegado da técnica Francimeire Lavareda. Com liderança, rigor técnico e extrema sensibilidade humana, Francimeire tem sido muito mais do que treinadora: atua como verdadeira mentora, mantendo acesa a chama da motivação das jovens ginastas mesmo diante das piores adversidades orçamentárias. É sob o comando da treinadora que as atletas extraem forças para superar as barreiras impostas pela falta de investimento público.

​Cobrança por retratação e apoio imediato

​Diante da repercussão do caso e do sentimento de abandono coletivo, familiares exigem uma retratação pública do Governo do Estado de Rondônia e da SEJUCEL, além da imediata disponibilização dos meios necessários para garantir a participação digna das ginastas na Copa Eurly Kang Tourinho e o suporte contínuo na jornada rumo aos JEBs.

​O esporte de base não pode ser tratado como favor ou caridade; é um direito constitucional, uma ferramenta de transformação social e um dever do Estado. O silêncio e a omissão governamental diante do suor de jovens campeãs é uma mácula que o esporte de Rondônia não pode aceitar.

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