BR-319: da reclamação à ação
BR-319: da reclamação à ação

Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Em inúmeros artigos publicados nesta coluna Expressão ao longo dos últimos anos, defendemos ações da classe política amazonense em substituição à ladainha persistente que buscava culpados e apontava o dedo em riste à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, como inimiga dos amazonenses por impedir a recuperação e asfaltamento da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
Os mais raivosos críticos de Marina Silva nunca moveram uma palha para tentar destravar os “embargos ambientais” impostos pelas autoridades brasileiras. As críticas, injustas, tinham o objetivo de promover o político e não de resolver o problema, como denunciamos neste espaço.
Nos últimos dois anos, houve uma mudança de postura, principalmente do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que resolveu abraçar a causa e se mobilizar politicamente para convencer parte do governo federal de que a obra é necessária para a população do Amazonas.
Em 2025, Braga apresentou uma emenda ao Projeto de Lei 2.159/2021, que dispensa o licenciamento ambiental para serviços e obras de manutenção e melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas e dragagens de manutenção.
A emenda foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o Congresso Nacional derrubou o veto. Na discussão, o senador teve papel importante na defesa da manutenção do texto.
Mas não basta incluir emenda a um projeto de lei para que as mudanças aconteçam como num passe de mágica. Está sendo fundamental o diálogo com personagens-chave do governo federal para destravar os serviços.
Em outra frente, o senador se aliou ao superintendente do Dnit no Amazonas, Orlando Fanaia Machado, e acompanha os trabalhos que estão sendo feitos para manter a rodovia trafegável. Estão incluídas nessa manutenção a reconstrução de duas pontes no município do Careiro da Várzea, que desabaram em 2022 por falta de manutenção.
A primeira ponte, sobre o rio Curuçá, foi entregue e liberado para o tráfego de veículos em setembro de 2025. A segunda, sobre o rio Autaz Mirim, deverá ser entregue em março deste ano.
Nos trechos mais críticos da rodovia, o Dnit passou a utilizar uma tecnologia com uso de pedras para recuperação do pavimento, o que possibilitou o tráfego de carros, caminhões e ônibus mesmo nesse período de chuvas mais intensas na região amazônica.
As obras avançam na pavimentação de 52 quilômetros licenciados nos últimos dias do governo Bolsonaro, em 2022. E já há garantias de dinheiro para reconstrução de 54 pontes de madeira ao longo da BR-319, que serão estruturas de concreto, com pavimentação de um quilômetro de pista para cada lado dessas obras.
O próximo passo é a liberação do asfaltamento do trecho do meio, obra que deve durar pelo menos quatro anos, depois de iniciada.
Nada disso teria sido feito se não houvesse empenho político, diálogo com as pessoas certas e acompanhamento das ações do governo.
Desde que essas medidas passaram a ser adotadas, os críticos esqueceram a ministra Marina Silva. Talvez se deram conta de que estavam equivocados, como dizíamos sempre que eles mostravam os dentes.
