Dados mostram alta cobertura urbana, enquanto áreas rurais ainda enfrentam limitações no abastecimento
Brasil do século 21 ainda nega acesso a água potável a quase 70% das famílias rurais
Apesar do avanço para 86,1% dos domicílios brasileiros com acesso à rede geral de abastecimento de água em 2025, totalizando 68,3 milhões de residências, segundo a PNAD Contínua do IBGE divulgada nesta sexta-feira (17), o país ainda apresenta diferenças significativas entre áreas urbanas e rurais.
Nas cidades, a cobertura atinge cerca de 93,1% dos domicílios, refletindo maior concentração de infraestrutura. Já nas zonas rurais, onde existem aproximadamente 9,1 milhões de residências, o índice é de 31,7%, indicando que uma parcela expressiva da população depende de fontes alternativas de abastecimento, como poços, cisternas e caminhões-pipa.
Os dados evidenciam um desafio histórico relacionado à expansão de serviços básicos fora dos grandes centros urbanos. Especialistas apontam que fatores como custo elevado de infraestrutura, dispersão populacional e dificuldades logísticas contribuem para a diferença nos índices.
O tema também se relaciona com políticas públicas voltadas ao saneamento básico, que buscam ampliar o acesso à água tratada e reduzir impactos na saúde e na qualidade de vida da população. O Marco Legal do Saneamento estabelece metas de universalização, mas a implementação ainda enfrenta obstáculos em regiões mais afastadas.
A ampliação do acesso à água potável segue como um dos principais desafios estruturais do país, especialmente no meio rural, onde a cobertura permanece abaixo da média nacional.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação