Caso Master: decisões de Toffoli reduzem tensão no STF, avalia governo

Integrantes do governo do presidente Lula avaliaram como positivas duas decisões recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso do Banco Master. A leitura interna é de que a liberação do sigilo dos depoimentos e a admissão do envio do processo à primeira instância ajudam a reduzir a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal.
Segundo relatos ouvidos pelo jornal O Globo, essas iniciativas tendem a arrefecer questionamentos dirigidos à Corte e ao próprio magistrado. Um auxiliar de Lula afirma que decisões mais alinhadas a procedimentos tradicionais contribuem para conter críticas e estabilizar o ambiente institucional.
O presidente demonstrava incômodo com a condução do Supremo no episódio da liquidação do banco, especialmente com Toffoli. A avaliação no Planalto era de que contestar decisões técnicas poderia gerar instabilidade e prejudicar a imagem das instituições.

No início de dezembro, após a decretação de sigilo absoluto no processo, Lula almoçou com Toffoli na Granja do Torto, encontro fora da agenda oficial e com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao final, o presidente disse ao magistrado: “Você tem agora a chance de reescrever a sua biografia”, conforme revelou o colunista Lauro Jardim.
A divulgação dos vídeos dos depoimentos trouxe mais detalhes das versões apresentadas por Daniel Vorcaro, dono do banco, pelo presidente afastado do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e pelo diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton Aquino, que não é investigado.
Nos registros, Vorcaro e Costa apresentam versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito adquiridas pelo banco público a partir de 2025. Vorcaro afirmou que o BRB sabia que parte dos créditos vinha de outra empresa, a Tirreno, enquanto Costa negou e disse que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master, com dúvidas surgindo apenas posteriormente.
