Cirurgião vira réu após 481 de suas 727 operações precisarem de reparos

A Justiça aceitou as primeiras sete denúncias do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra o cirurgião plástico Leandro Fuchs. Ele virou réu por estelionato, falsidade ideológica e concussão, além de injúria racial em um dos casos. Desde o início de 2024, a Polícia Civil abriu 97 inquéritos sobre procedimentos realizados pelo médico.
Pacientes relatam necroses, infecções, deformações e outras complicações após as cirurgias. A professora Karina Machado Campello afirma que procurou Fuchs para uma redução de mamas, mas recebeu incentivo para fazer outras intervenções e passou por tentativas de correção. “Me sinto como se fosse um lixo”, disse. Ela calcula ter gasto mais de R$ 50 mil em tratamentos reparatórios em dois anos.
A Polícia Civil analisou 727 cirurgias e apontou que 481 procedimentos, mais de 66% do total, precisaram de novos reparos. A investigação também concluiu, em diversos casos, que Fuchs não permaneceu na sala durante cirurgias sob sua responsabilidade, com base em dados do celular e imagens de câmeras do Hospital Ernesto Dornelles.
O médico segue impedido de realizar cirurgias, embora tenha recuperado autorização para consultas; sua defesa afirma que ele não atua mais. A Polícia Civil ainda conduz 57 inquéritos, e o Ministério Público analisa outros 32 casos. A defesa declarou que demonstrará a inocência de Fuchs no processo, enquanto o Cremers abriu sindicância sigilosa e o Hospital Ernesto Dornelles informou que ele não integra mais seu corpo clínico.
