COMO FICA A ESQUERDA APÓS LULA AFIRMAR: “NUNCA FUI ESQUERDISTA”?
Publicado em: 17/06/2026 16:06
Declaração feita durante encontro no g7 reacende debate sobre a identidade ideológica do presidente e provoca reações entre apoiadores históricos do campo progressista
Durante a cúpula do G7 realizada nesta quarta-feira (17), na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração que repercutiu no meio político ao afirmar que “nunca foi esquerdista”. A conversa foi registrada por um microfone aberto durante um encontro informal entre líderes internacionais.
Lula conversava com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Durante o diálogo, o presidente brasileiro argumentou que as principais potências ocidentais foram governadas majoritariamente por lideranças de direita ao longo das últimas décadas.
Em sua avaliação, a divisão tradicional entre esquerda e direita não explica completamente a dinâmica política global. Segundo Lula, “o mundo não é de esquerda” e “o mundo é do caminho do meio”, defendendo uma postura mais pragmática nas relações políticas e econômicas.
Kristalina Georgieva comentou que, quando Lula venceu sua primeira eleição presidencial, havia uma expectativa internacional de que ele governasse como um líder claramente identificado com a esquerda. A dirigente do FMI observou que essa percepção não se confirmou ao longo dos anos.
Em resposta, Lula declarou que nunca se considerou esquerdista. O presidente afirmou que sua trajetória esteve ligada ao movimento sindical e destacou as relações que mantinha com sindicatos da Alemanha, Itália e Espanha ainda durante o período de formação política.
Lula também relembrou que, em 1980, foi convidado para participar de um congresso na então União Soviética, mas não conseguiu comparecer por estar condenado com base na legislação de segurança nacional vigente à época. Segundo ele, posteriormente realizou viagens pela Europa e chegou a ser visto por alguns setores como anticomunista.
A declaração repercutiu nas redes sociais e no meio político, gerando discussões sobre a identidade ideológica do presidente e sobre a reação de setores da esquerda que historicamente apoiaram sua trajetória política. A fala também reacendeu o debate sobre o posicionamento de Lula entre pragmatismo político, centro e esquerda.
Foto: Agência Brasil