Como foi o depoimento de 4h de Vorcaro à PF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, depôs por quatro horas à Polícia Federal nesta sexta (28), em videoconferência da Papudinha, no inquérito que apura suspeitas de corrupção envolvendo servidores do Banco Central, segundo a coluna de Manoela Alcântara no Metrópoles.
A oitiva estava marcada para quinta (27), mas problemas técnicos impediram sua realização. Os investigadores remarcaram o depoimento para o dia seguinte.
A defesa afirmou que Vorcaro teve pela primeira vez a oportunidade de se manifestar diretamente sobre parte dos fatos sob investigação e responder às perguntas e insinuações levantadas contra ele. Os advogados disseram que o banqueiro respondeu “de forma clara e consistente a todos os questionamentos”.
“Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso. Daniel externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”, disseram os defensores.

PF questionou Vorcaro sobre dois servidores do Banco Central
Os investigadores perguntaram a Vorcaro sobre ao menos dois servidores investigados: Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afastou os dois servidores de suas funções no Banco Central.
Elementos reunidos pela Polícia Federal indicam que Paulo Sérgio atuava como uma espécie de “empregado” de Vorcaro dentro da instituição.
Bellini Santana é suspeito de trabalhar como consultor de Vorcaro no Banco Central. Ele comandou o Departamento de Supervisão Bancária da autarquia.
O novo trunfo que Vorcaro tenta usar para fechar delação com a PF

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira e voltou a demonstrar interesse em firmar um acordo de colaboração premiada. É a terceira tentativa do empresário de negociar uma colaboração com os investigadores. Com informações do O GLOBO.
Em nota, os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski afirmaram que Vorcaro respondeu às perguntas dos delegados “de forma clara e consistente”, sem deixar “qualquer indagação sem esclarecimento”. A defesa disse ainda que ele pode apresentar informações “mais amplas e aprofundadas sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”.
A PF rejeitou duas propostas anteriores entregues pela defesa. Os investigadores avaliaram que os anexos não continham provas suficientes nem apresentavam elementos novos para as apurações, posição que também recebeu o aval da Procuradoria-Geral da República.
Preso desde março, Vorcaro discutiu nas últimas semanas estratégias para tentar viabilizar a colaboração. Um eventual acordo pode reduzir a pena em caso de condenação e também é visto pelo banqueiro como uma forma de proteger familiares envolvidos na investigação.

O pai, o cunhado e o primo de Vorcaro estão presos preventivamente na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O banqueiro prestou a oitiva por videoconferência, a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, onde está desde junho.
A PF adiou o depoimento duas vezes antes da realização desta sexta-feira. Em uma ocasião, a defesa pediu mais prazo para acessar os autos; na outra, o sistema de videoconferência apresentou problemas de sinal.
Os delegados questionaram Vorcaro sobre a atuação de ex-diretores do Banco Central em articulações que buscariam evitar a liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025. A investigação aponta que dois ex-dirigentes da autarquia trabalharam como consultores e empregados do banqueiro, orientando-o sobre respostas a questionamentos do órgão regulador.
Vorcaro negou no depoimento a existência de atos de corrupção envolvendo servidores do Banco Central. Esse inquérito está entre os desdobramentos mais avançados da Compliance Zero e deve seguir para relatório da PF, com eventual lista de indiciados encaminhada à PGR.
