Criação de maior parque marinho do Brasil vira guerra política e ameaça proteção de espécie em risco

Publicado em: 31/03/2026 16:01

Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA)

A criação do Parque Nacional do Albardão, anunciada pelo governo federal há três semanas, já virou alvo de disputa política e econômica. Com mais de 1 milhão de hectares no litoral do Rio Grande do Sul, a nova unidade de conservação surge como a maior área marinha protegida do país, voltada à preservação da biodiversidade e, principalmente, da toninha, o menor golfinho do Atlântico Sul e hoje ameaçado de extinção.

 

O projeto atende a uma reivindicação antiga de pesquisadores e ambientalistas, que há mais de duas décadas alertam para a degradação da região. Estudos indicam níveis alarmantes de mortalidade de animais marinhos, sobretudo por conta da pesca com redes de nylon. Em um único episódio, 139 toninhas foram encontradas mortas em uma praia gaúcha, e especialistas afirmam que esse número pode representar apenas uma pequena parte do impacto real no oceano.

 

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Mas o anúncio do parque provocou reação imediata de setores da pesca, do agronegócio e da energia eólica, que enxergam na medida uma ameaça a atividades econômicas. O deputado Alceu Moreira apresentou um projeto para derrubar o decreto, classificando a criação da área protegida como “insanidade” e alegando prejuízos à economia, restrições a propriedades e impacto em projetos de energia renovável na região.

 

 

 

Do outro lado, organizações ambientais afirmam que a tentativa de barrar o parque é inconstitucional e ignoram a gravidade da situação ambiental. Segundo especialistas, a área protegida ocupa apenas uma pequena parte do mar gaúcho e não impede totalmente atividades econômicas, mas cria um espaço essencial para a sobrevivência de espécies ameaçadas. Para ambientalistas, o Albardão pode ser a última chance de evitar o colapso de um dos ecossistemas mais pressionados do país.

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