Datafolha: 75% dos brasileiros acham que STF tem poder demais
Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 88% dizem que o Supremo concentra poder excessivo
Paulo Moura

Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (13) mostra que uma ampla maioria dos brasileiros avalia que o Supremo Tribunal Federal (STF) concentra poder excessivo. Segundo o levantamento, é de 75% o percentual dos entrevistados que afirmam que a Corte tem mais poder do que deveria.

Outro dado relevante obtido na pesquisa é a percepção de perda de credibilidade do tribunal. Também para 75% dos participantes, a confiança no STF é menor hoje do que em períodos anteriores.
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O levantamento ainda mostra diferenças conforme o voto no segundo turno das eleições de 2022. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 88% dizem que o STF tem poder demais. Já entre os que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o índice é de 64%. Entre os que votaram em branco, nulo ou não compareceram, 67% também avaliam que há excesso de poder.
A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026
55% dos brasileiros creem que STF está envolvido no caso Master
Somente 4% dizem não acreditar que os membros do Tribunal têm ligação com o caso
Pleno.News

Para 55% dos brasileiros, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão envolvidos com o escândalo do Banco Master, segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (13). Outros 4%, por outro lado, dizem não acreditar que os membros do Tribunal têm ligação com o caso, enquanto uma parcela de 10% diz não saber se há ou não envolvimento dos ministros.
Quase 70% dos entrevistados pela pesquisa dizem ter conhecimento ou, ao menos, já ouviram falar sobre os escândalos de fraudes financeiras do Banco Master e a ligação de Daniel Vorcaro, dono da instituição, com autoridades e figuras da política brasileira, incluindo os ministros do STF. Já os que responderam não ter tido nenhum conhecimento sobre o tema correspondem a 30% da população.
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Ao todo, foram ouvidas 2.004 pessoas pelo instituto de 7 a 9 de abril, em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro para a amostra total é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.
O STF foi parar no centro do escândalo com a revelação de que a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato milionário com o Banco Master. Também houve trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.
Em outra frente, uma empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio teria recebido dinheiro de um fundo ligado ao banco. A partir da revelação, Toffoli deixou a relatoria das investigações e, depois disso, se declarou suspeito para participar dos julgamentos sobre o caso.
Além disso, o Master e a empresa JBS repassaram R$ 18 milhões a uma consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.
Hoje, existem 97 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo aguardando andamento no Senado. Somente neste ano, foram protocoladas 11 petições – seis contra Moraes e cinco contra Toffoli. No tribunal, ministros consideram grave a situação, mas ainda não têm um plano para debelar a crise.
Uma das alternativas que pode reduzir a desconfiança da população com a Corte é a criação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores, especialmente para os membros do STF. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou em entrevista ao Estadão que está se inspirando em códigos de ética de tribunais de outros países para tentar enquadrar a questão brasileira.
*AE
