DEMOROU, ESTADÃO: O STF OPERA HÁ ANOS FORA DA LEGALIDADE E SÓ AGORA A IMPRENSA RECONHECE O ÓBVIO

Publicado em: 13/06/2026 13:33

DEMOROU, ESTADÃO: O STF OPERA HÁ ANOS FORA DA LEGALIDADE E SÓ AGORA A IMPRENSA RECONHECE O ÓBVIO

Editorial do Estadão reacende o debate sobre os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal, a concentração de poderes em decisões monocráticas e os impactos institucionais de julgamentos que vêm sendo alvo de críticas dentro e fora do Brasil.

Enquanto a Corte de Cassação italiana expunha, com clareza cirúrgica, o que o sistema brasileiro fingiu não ver por anos, ou seja, a impossibilidade jurídica de um juiz atuar simultaneamente como vítima e julgador, o Estadão finalmente publicou editorial corajoso ao criticar a acumulação de poder pelo Supremo, a expansão indefinida de investigações, o enfraquecimento da colegialidade e o distanciamento do STF dos parâmetros mínimos de democracias consolidadas, como ficou evidente no constrangedor caso Zambelli.
O texto acerta ao apontar que tais práticas tornaram-se insustentáveis e geraram repercussão internacional negativa.
No entanto, o jornal, assim como boa parte da imprensa, demorou excessivamente a reconhecer as ilegalidades e abusos protagonizados por Alexandre de Moraes, preferindo por longo tempo o silêncio conveniente ou a narrativa de que questionar o ministro era sinônimo de ataque à democracia.
Essa lucidez repentina soa oportunista: depois de anos de omissão ou conivência diante de prisões preventivas eternas, decisões monocráticas avassaladoras e inquéritos que atropelam garantias fundamentais, posar agora de guardiã das instituições soa mais como tentativa de reparar a própria credibilidade do que compromisso genuíno com o Estado de Direito.
A Itália precisou lembrar ao Brasil o óbvio; a imprensa brasileira, infelizmente, demorou ainda mais.
Texto: Rodolfo Oliveira
Fotos: Divulgação

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