DEPUTADA DE SC PODE PERDER LEGENDA DO PL POR OPOSIÇÃO A CARLOS BOLSONARO
Publicado em: 24/04/2026 10:19
Divergência sobre candidatura ao Senado expõe tensões internas e disputa por protagonismo no partido
A disputa interna no Partido Liberal (PL) em Santa Catarina ganhou novos contornos nos últimos dias e expôs fissuras relevantes dentro da base bolsonarista no estado. O embate envolve diretamente a deputada estadual Ana Campagnolo e a possível candidatura do vereador carioca Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026.
Resistência local e disputa por protagonismo
Campagnolo tem se posicionado publicamente contra a articulação que tenta viabilizar o nome de Carlos Bolsonaro no estado. A deputada defende que a vaga ao Senado seja ocupada por um nome catarinense, citando, entre outros, a atual senadora Caroline De Toni, também filiada ao PL e alinhada ao campo conservador.
Nos bastidores, a crítica central gira em torno da estratégia de “importação” de candidaturas. Para aliados de Campagnolo, trazer Carlos Bolsonaro para disputar em Santa Catarina poderia desorganizar o cenário local, enfraquecer lideranças regionais e gerar ruídos desnecessários dentro da legenda.
A movimentação ocorre em um momento sensível, em que partidos começam a estruturar suas chapas para 2026, especialmente em cargos majoritários como o Senado, onde há forte disputa interna por espaço e visibilidade.
Episódio recente acirra tensão
O conflito ganhou maior repercussão após um episódio recente envolvendo uma publicação nas redes sociais. Campagnolo divulgou uma imagem de um evento partidário sem incluir Carlos Bolsonaro, o que foi interpretado por parte da militância e de lideranças do PL como um gesto deliberado de exclusão.
A reação veio rapidamente. Parlamentares alinhados ao bolsonarismo, como Lucas Bove, criticaram a atitude de forma pública, acusando a deputada de desrespeitar uma possível decisão estratégica do partido.
Campagnolo, por sua vez, respondeu às críticas defendendo sua autonomia política e reiterando sua posição contrária à candidatura de Carlos no estado. O episódio serviu como catalisador de uma tensão que já vinha se acumulando nos bastidores.
Pressão por punição e limites partidários
Diante do cenário, setores do PL passaram a discutir possíveis sanções à deputada. Entre as medidas cogitadas estão advertências formais e até a abertura de processo disciplinar com base no estatuto partidário.
Em casos extremos, punições podem incluir suspensão de direitos partidários ou até desfiliação — o que, na prática, inviabilizaria uma candidatura pela legenda em 2026. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial de que qualquer procedimento tenha sido instaurado pela direção estadual ou nacional do partido.
A ausência de uma decisão formal indica que, por ora, o embate permanece no campo político, funcionando mais como instrumento de pressão interna do que como um processo disciplinar consolidado.
Racha expõe desafios do PL para 2026
O episódio evidencia um desafio recorrente em partidos de grande porte: equilibrar lideranças nacionais e interesses regionais. De um lado, há a força do sobrenome Bolsonaro e sua capacidade de mobilização eleitoral. De outro, lideranças locais buscam preservar espaço e protagonismo dentro de seus estados.
Em Santa Catarina, onde o eleitorado conservador é expressivo, a definição da candidatura ao Senado tende a ser estratégica não apenas para o PL, mas para todo o campo da direita. A escolha do nome pode influenciar alianças, distribuição de recursos e o desempenho eleitoral da legenda.
Cenário ainda em aberto
Apesar do aumento da tensão, o cenário permanece indefinido. As decisões finais sobre candidaturas devem ocorrer apenas nas convenções partidárias, mais próximas do período eleitoral. Até lá, é esperado que as negociações internas continuem intensas.
O caso envolvendo Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro ilustra como disputas antecipadas podem moldar o ambiente político e antecipar conflitos que, em muitos casos, só se resolvem às vésperas das eleições.
Por ora, a situação segue como um embate em curso — sem desfecho formal, mas com potencial de impacto significativo na configuração política do PL em Santa Catarina.
Foto: Reprodução/ Flickr
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