Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas pela desertificação, um processo de degradação ambiental que transforma terras antes produtivas em regiões improdutivas e escassas de água. Esse fenômeno, que atinge principalmente populações vulneráveis e comunidades tradicionais, como sertanejos, agricultores, povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros, é causado por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e também por variações climáticas.
Segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cerca de 18% do território brasileiro é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). Dos seis biomas do país, a Caatinga é o mais afetado, com 11% de sua área em situação crítica e severa, equivalente a 100 mil km².
A coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que, apesar de parecer um problema distante, a desertificação tem impactos significativos na produção de alimentos, segurança hídrica, economia e clima, afetando tanto o campo quanto as cidades.
Para enfrentar este desafio, o Brasil lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043), que prevê ações integradas em meio ambiente, educação, saúde, assistência social, infraestrutura, acesso à água, inclusão produtiva e inovação tecnológica. Além disso, o Programa Recaatingar, lançado em junho deste ano, visa a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas do bioma Caatinga nos próximos 20 anos.
O programa utiliza conhecimento tradicional das comunidades locais e tecnologias sociais de convivência com o semiárido para promover a segurança hídrica, restauração socioprodutiva e adaptação às mudanças climáticas.
Via Media Press