Deus, pátria e… pensão atrasada: a família segundo Bruno Scheid

Deus, pátria e… pensão atrasada: a família segundo Bruno Scheid
Candidato ao Senado por Rondônia, Bruno Scheid não cansa de falar em Deus, pátria e família. Só que os autos de um processo de alimentos mostram que essa devoção toda tinha um teto bem baixinho: R$ 1.200 por mês, quando a Justiça mandava pagar mais que o dobro.
Todo político de direita tem o trio preferido. Bruno Scheid, pré-candidato ao Senado por Rondônia pelo PL, não foge da receita: colocou a família ao lado da liberdade no lançamento da candidatura, como quem mostra troféu. Só que troféu fica bonito na estante, pensão, para valer alguma coisa, tem que cair na conta todo mês.
Segundo documentos de um processo de execução de alimentos, o filho de Scheid, representado pela mãe, teve que ir atrás da Justiça pra receber o que já era garantido por lei. A 1ª Vara de Família de São José do Rio Preto (SP) fixou pensão de dois salários mínimos. Na prática, Scheid vinha pagando R$ 1.200, menos da metade do combinado. Entre julho de 2019 e fevereiro de 2020, a diferença já somava R$ 2.771,20. Em maio de 2020, a Justiça mandou intimá-lo pra quitar a dívida, sob as penas do Código de Processo Civil.
No palanque, família é discurso pronto e aplauso na certa. No fórum, é planilha de atraso.
Um processo, sozinho, não faz de ninguém vilão e seria golpe baixo transformar isso em sentença moral fechada. Mas cabe perguntar, sim: que “defesa da família” é essa que só funciona dentro de casa depois que um juiz manda? A própria petição fala em desamparo do filho, causado pelo pagamento insuficiente da pensão. É alegação da parte autora, tá certo, mas não é boato de rede social. Tem nome, sobrenome, data e número de processo.
Filho não pergunta o partido do pai antes de sentir fome. Isso não é pauta de direita nem de esquerda, é o básico. E quando vira processo, deixa de ser só responsabilidade moral e vira obrigação que o Judiciário reconheceu, coisa que um futuro senador devia levar a sério antes de subir em qualquer palanque.
Defender a família em comício sai barato: custa um microfone. Sustentar um filho é caro, é todo mês, e não tem desconto pra consciência pesada. Família no palanque é enredo bonito. Pensão em dia é que é vida real.
ASCOM
