Dia do Orientador Educacional: profissão gera escolas mais acolhedoras

Publicado em: 04/12/2025 16:13
Rio de Janeiro (RJ), 04/06/2025 – A professora de educação infantil no Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, Rosana Candreva da Silva durante horário de intervalo com seus alunos, na escola, no Catete, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Nesta quinta-feira, 4 de dezembro, é celebrado o Dia do Orientador Educacional, profissão que atua no aconselhamento dos estudantes, seja sobre seu futuro e metas ou sobre a organização cotidiana, e no apoio à gestão do ambiente escolar, mediando conflitos e promovendo o acolhimento dos alunos.

Predominantemente feminina, com 78% de mulheres entre os cerca de 81 mil profissionais, segundo o dado mais recente do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a profissão avança em meio à perspectiva de ampliação do ensino integral e promoção de métodos que valorizam a saúde mental e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos estudantes.

O orientador pode atuar em apoio ao corpo docente, em consonância com outros especialistas, como coordenadores pedagógicos, ou diretamente com estudantes e familiares, principalmente nas disciplinas que se dedicam ao desenvolvimento de habilidades de planejamento e desenvolvimento pessoal, como os chamadas “Projetos de Vida”.

“Acredito que a orientação educacional evoluiu com a necessidade de acompanhar as crianças e os jovens em seu desenvolvimento integral. A educação se transformou e hoje as escolas são fundamentais para promover o autoconhecimento, habilidades emocionais e de vida, disse, à Agência Brasil, Ana Claudia Favano, psicóloga, pedagoga e gestora da Escola Internacional de Alphaville, instituição localizada em Barueri (SP).

“Não estamos mais na época em que a orientação educacional focava em questões de disciplina e dificuldades emocionais relacionadas ao aprendizado cognitivo”, acrescentou.

Ela pondera que o foco da educação hoje está cada vez mais no sujeito e não apenas nas disciplinas, com a qualidade da aprendizagem relacionada ao avanço da maturidade emocional, e vê sua atuação como orientadora na direção de uma espécie de “promotora de cultura do bem-estar”.

O acolhimento também é uma das habilidades importantes para esses profissionais, como a atenção que pesquisas e políticas públicas voltadas ao enfrentamento do bullying têm mostrado constantemente.

“Minha vivência como orientadora educacional me revelou o poder transformador do olhar atento, da escuta afetiva e do cuidado genuíno. São gestos que, embora simples, têm impacto profundo na trajetória de estudantes que encontraram em mim um ponto seguro de apoio”, acrescentou Ísis Galindo, orientadora educacional da Escola Bilíngue Aubrick, de são Paulo (SP).

Para ela, o orientador atua como mediador sensível entre alunos, professores, famílias e profissionais externos à escola, como psicólogos, psiquiatras, psicopedagogos e fonoaudiólogos, formando uma rede de apoio que sustenta o desenvolvimento global de cada criança e adolescente, com estratégias personalizadas de acompanhamento”, explicou Isis.

Como pedagoga, ela considera que escolas que não contam com essa escuta especializada perdem oportunidades de compreender com profundidade o que seus alunos vivem, sentem e precisam, ocupando um espaço de diálogo, mediação e cuidado.

Outro papel desse profissional está na superação das dificuldades de aprendizagem. Esse elemento foi a porta de entrada do professor de matemática Carlos Augusto Lima na profissão. Ele buscou formações que lhe ajudassem a solucionar esses entraves e encontrou, na psicopedagogia e na psicologia da educação, as ferramentas que lhe ajudaram a abordar esses problemas. A profissão, que existe no país desde os anos 1960, tem se atualizado constantemente em fontes cada vez mais integradas às outras ciências.

“Também faz parte do papel do orientador educacional colaborar com os professores e a equipe escolar para identificar e lidar com os desafios de aprendizagem, trabalhar em parceria com os pais, oferecendo informações sobre desenvolvimento acadêmico e comportamental dos alunos.

Segundo Lima, hoje o grande desafio é trabalhar com a saúde emocional dos alunos e entender sobre sua aprendizagem. “Percebo que muita coisa que o aluno traz para dentro da sala de aula fica ali escondido e passa desapercebido pelo professor, naqueles 45, 50 minutos”, explicou ele, que atua na Brazilian International School, em São Paulo.

Dia do Orientador Educacional: acolhida que humaniza a escola e edifica histórias

Alguns papéis dentro da escola não aparecem nas fotografias das cerimônias nem ganham destaque nas estatísticas de desempenho. Entre eles está o orientador educacional, profissional que impede que muitos estudantes se percam no meio do caminho.

Sua presença não faz barulho, mas muda trajetórias. É ele quem percebe quando o brilho opaco de um aluno não é cansaço, mas um pedido de ajuda; quem entende que uma queda nas notas quase nunca é apenas um problema acadêmico; quem sabe que escolher uma profissão começa muito antes da inscrição no vestibular, começa quando alguém pergunta, com sinceridade: “O que faz sentido para você?”

Celebrar o Dia do Orientador Educacional, em 4 de dezembro, é reconhecer essa parte da escola que não está nos holofotes, mas que sustenta tudo o que ali se constrói. É lembrar que nenhum projeto de vida nasce pronto e que, para muitos jovens, o primeiro sopro de coragem para imaginar o próprio futuro vem justamente da escuta atenta de quem está disposto a enxergar para além do boletim.

A profissão, reconhecida por lei desde 1968, ainda luta para ocupar o espaço que merece nas redes públicas e privadas. O país conta hoje com cerca de 81 mil orientadores educacionais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e 78% deles são mulheres. São profissionais que assumem diariamente uma função de alta responsabilidade emocional, pedagógica e social. Mas, apesar da centralidade do trabalho, as políticas públicas ainda são insuficientes.

Há estados e municípios, como o Distrito Federal, onde escolas não possuem nenhum orientador; em outras, um único profissional precisa acompanhar centenas de estudantes. É a tentativa de multiplicar o cuidado sem a estrutura necessária, um paradoxo que revela a negligência histórica do Estado.

E essa função vai muito além de ajudar o estudante a definir carreira. O orientador educacional atua na mediação de conflitos que poderiam gerar rupturas, identifica vulnerabilidades silenciosas, aproxima famílias e escola, fortalece a convivência, organiza redes de proteção e auxilia na construção de autonomia, metas e rotinas. Ele é parte estruturante do projeto pedagógico porque sabe que não se aprende quando a vida está em desalinho. A orientação educacional é ponte e, para muitos estudantes, é a única ponte disponível.

No contexto atual, marcado pela expansão do ensino integral, pela centralidade da saúde mental e pela valorização das habilidades socioemocionais, seu papel se torna ainda mais indispensável. São esses profissionais que contribuem para criar ambientes escolares mais acolhedores, equilibrados e atentos às necessidades reais dos alunos. Trabalham lado a lado com professores, coordenadores pedagógicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psiquiatras e demais especialistas, construindo uma rede que edifica o desenvolvimento integral.

Em um mundo que exige decisões precoces, produtividade constante e um tipo de certeza que a juventude raramente tem, o orientador educacional é um respiro. É ele quem diz que tudo bem ainda não saber, que buscar suporte não é sinal de fraqueza, que é possível construir caminhos diferentes para cada realidade. Quando essa mensagem é dita com competência e humanidade, ela muda destinos.

Por isso, neste 4 de dezembro, a Contee presta homenagem a esses profissionais que trabalham onde quase ninguém vê, mas onde realmente importa: dentro das histórias individuais de cada estudante. Reafirmamos nosso compromisso de defendê-los, valorizá-los e lutar para que tenham condições dignas de exercer sua função. Porque, sem orientação educacional, a escola fica incompleta e nossos jovens ficam mais sozinhos diante de um mundo exigente demais.

Que este dia sirva não apenas para lembrar, mas para reiterar que o trabalho do orientador educacional é estruturante. E é graças a ele que tantos jovens conseguem transformar dúvidas em direção, medo em movimento e futuro em possibilidade promissora.

Da Redação Contee

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