Dias Toffoli: investigação sem autorização de ministro gera incômodo no STF

Publicado em: 12/02/2026 23:42
Dias Toffoli e o decano do STF, Gilmar Mendes, em sessão no tribunal – Foto: reprodução

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a Polícia Federal (PF) por investigar o ministro Dias Toffoli sem a devida autorização judicial. O episódio surgiu após o relatório entregue pela PF ao presidente do STF, Edson Fachin, que indicava possíveis crimes cometidos por Toffoli no caso Banco Master. A reunião entre os ministros, que durou cerca de duas horas e meia, culminou na decisão de afastar o magistrado da relatoria do processo, com o objetivo de preservar a imagem da Corte. Com informações de Mônica Bérgamo, na Folha de S.Paulo.

“Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, afirmou o ministro André Mendonça, o mais contundente nas críticas à atuação da PF. Seu posicionamento foi seguido pela maioria dos colegas, que concordaram que a saída de Toffoli do caso seria a melhor solução para minimizar o desgaste enfrentado pelo Supremo, especialmente considerando o clima político e eleitoral do momento.

A PF foi acusada de realizar a investigação de forma irregular, sem a permissão da Corte, algo que, segundo os ministros, contraria a Lei Orgânica da Magistratura. Essa lei exige que, para investigar um integrante do STF, a PF precisa obter autorização do tribunal. Relatórios internos indicam que a investigação foi além do esperado, cruzando dados sem a devida formalidade judicial.

O relatório da PF revelou conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, que mencionam pagamentos à empresa Maridt, na qual Toffoli é sócio. No entanto, Toffoli negou qualquer irregularidade em suas relações e afirmou não ter recebido valores de Vorcaro ou de Zettel. Mesmo assim, os ministros do Supremo entenderam que sua continuidade à frente do caso poderia aumentar o desgaste da Corte.

O ministro Dias Toffoli em sessão do STF (Supremo Tribunal Federal)

Em sua defesa, Toffoli alegou que a investigação não justificava sua suspeição, mas os ministros do STF consideraram que o afastamento seria mais adequado para evitar maiores complicações. A decisão de retirar o ministro da relatoria foi tomada de forma consensual, com o objetivo de proteger a credibilidade do Supremo, que já vinha enfrentando forte pressão devido ao caso.

A troca de relatoria se dá em meio a um cenário delicado, em que o STF se vê novamente sob os holofotes, desta vez devido à possível participação de Toffoli em transações que envolvem grandes figuras do mercado financeiro e setores privados. A decisão de afastá-lo é um movimento estratégico para desviar o foco da Corte e garantir que o caso continue sendo tratado de maneira imparcial.

Além disso, o caso Banco Master também gerou discussões sobre a necessidade de mais transparência e a criação de um código de ética para os ministros do STF. A situação evidencia um crescente escrutínio sobre a atuação dos membros da Corte, com pressão da sociedade e do Congresso por medidas que garantam maior controle sobre suas ações e decisões.

Após o afastamento de Toffoli, o caso será redistribuído a outro ministro do STF, que tomará a dianteira da investigação. Essa medida visa estabilizar a situação e restabelecer a confiança do público na imparcialidade do Supremo, que se vê diante de um cenário cada vez mais complexo e sensível no cenário político e judicial brasileiro.

Caso Master: os bastidores da reunião que selou a saída de Toffoli da relatoria

O ministro Dias Toffoli

Na manhã de 12 de fevereiro de 2026, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram por cerca de duas horas e meia para decidir o futuro do processo envolvendo o Banco Master e o ministro Dias Toffoli. Com informações de Carolina Brígido, no Estadão.

O encontro, que aconteceu em clima tenso, foi convocado para discutir as implicações de um relatório da Polícia Federal que mencionava Toffoli em conversas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, indicando possíveis crimes relacionados ao caso. A reunião foi marcada pela pressão sobre a imagem da Corte e o temor de um aumento das críticas, especialmente em ano eleitoral.

Logo no início do encontro, o presidente do STF, Edson Fachin, destacou as menções ao nome de Toffoli no relatório da PF e sugeriu que a relatoria fosse transferida para evitar maiores desgastes. A decisão não foi contestada por nenhum dos ministros presentes, e todos concordaram em que o ministro Toffoli deveria se afastar do caso. Em um movimento estratégico, a saída de Toffoli visava acalmar os ânimos e distensionar as pressões políticas que se intensificaram devido à proximidade do pleito de 2026.

Durante a reunião, não houve resistência por parte de Toffoli à decisão de seus colegas. De acordo com relatos de ministros presentes, o afastamento do ministro foi visto como uma forma de garantir a imparcialidade do Supremo e preservar a credibilidade da instituição. O colegiado sublinhou que todos os atos praticados por Toffoli no caso Master até aquele momento seriam mantidos, preservando a validade das decisões tomadas enquanto ele ainda estava à frente da relatoria.

Outro ponto discutido na reunião foi a possibilidade de a decisão sobre a suspeição de Toffoli ser vista como um precedente importante, lembrando o caso do ex-juiz Sérgio Moro, que teve decisões anuladas pelo STF quando foi considerado parcial em processos da Lava Jato. A ideia era evitar que qualquer dúvida sobre a imparcialidade do ministro colocasse em risco a legitimidade do processo e das ações já realizadas.

Dias Toffoli não é mais relator do caso Master. Foto: reprodução

Além disso, os ministros reafirmaram a importância de se preservar a imagem institucional do Supremo, que vem enfrentando críticas desde a Operação Lava Jato. A pressão para que Toffoli se afastasse do caso refletiu o desejo de evitar mais controvérsias no momento em que o Brasil se aproxima de um período eleitoral decisivo. A opinião interna no STF era de que a mudança de relatoria ajudaria a suavizar as tensões e a evitar um agravamento da situação.

Apesar da decisão de afastamento, Toffoli não foi considerado suspeito ou impedido de atuar em outros casos. O STF optou por um processo regimental em que a transferência do caso foi feita sem uma declaração formal de parcialidade. Isso significou que o afastamento não implicaria em uma condenação pública do ministro, mas sim numa medida estratégica para garantir a continuidade do processo sem que a imparcialidade fosse questionada.

Nos bastidores, o clima de cooperação entre os ministros foi considerado positivo, uma vez que todos estavam cientes da necessidade de agir rapidamente para proteger a imagem do STF. A decisão de Toffoli de se afastar voluntariamente foi vista como uma forma de minimizar o impacto das investigações sobre sua relação com o Banco Master, garantindo que o foco não fosse desviado para questões pessoais.

Por fim, o caso Master continuará sendo investigado, agora sob a relatoria de um novo ministro, e a expectativa é de que a Corte siga de perto o desdobramento dos acontecimentos, sem que haja mais controvérsias envolvendo seus membros. A decisão de ontem reflete a constante tentativa do Supremo de manter sua independência e credibilidade, em um cenário político marcado por pressões e polarização.

STF: André Mendonça assume relatoria do caso Master no lugar de Toffoli

André Mendonça, ministro do STF. Foto: Fellipe Sampaio/STF

O ministro André Mendonça foi sorteado para assumir a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) após a saída de Dias Toffoli. A redistribuição ocorreu na noite desta quinta-feira (12), logo depois de os dez ministros da Corte divulgarem nota conjunta informando que, “considerados os altos interesses institucionais”, foi acolhida a decisão de Toffoli de deixar o processo.

A Presidência do STF também iniciou os procedimentos para extinguir a arguição de suspeição aberta após a Polícia Federal apresentar relatório com “menções” ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O material foi apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero e apresentado aos ministros em reunião reservada convocada pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin.

O encontro terminou pouco depois das 20h e teve como objetivo discutir o conteúdo sigiloso encaminhado pela direção-geral da Polícia Federal. Segundo relatos, o documento traz referências ao ministro e a negociações envolvendo um resort no Paraná que teria sido parte da estrutura investigada no caso. Mais cedo, Toffoli admitiu ser sócio do empreendimento, mas afirmou não ter relação com Vorcaro nem com familiares do empresário.

Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: reprodução

Com a mudança de relatoria, o processo seguirá no STF e não será reiniciado. Os ministros decidiram manter a validade de todas as provas e atos já praticados, evitando prejuízos à investigação sobre suspeitas de fraudes bilionárias atribuídas ao banco.

Em nota, a Corte afirmou “não ser caso de cabimento para arguição de suspeição” e reconheceu “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli”.

A expectativa é que a condução sob André Mendonça represente uma nova fase na apuração, com ritmo mais técnico e maior autonomia para que Polícia Federal e Banco Central avancem nas investigações. O novo relator receberá todo o material já reunido, incluindo depoimentos, perícias, mandados de busca e dados telemáticos apreendidos ao longo da operação.

A troca ocorre após meses de controvérsias envolvendo decisões de Toffoli, como a imposição de sigilo rigoroso e questionamentos sobre sua relação indireta com investigados.

O relatório da Polícia Federal, que apontou mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel discutindo pagamentos à empresa Maridt, da qual o ministro é sócio, acelerou a crise que culminou na redistribuição do caso.

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