‘ELE FALA MESMO’: Rato Andrade rejeita bets e critica autopromoção de políticos
Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo, humorista de Guajará-Mirim revela ter recusado dinheiro de cassinos virtuais para manter credibilidade, detalha assédio de três partidos nas eleições e aponta esgotamento de mercado na capital
O humorista e influenciador digital José “Rato” Andrade, natural de Guajará-Mirim e hoje com 107 mil seguidores nas redes sociais, revelou em entrevista ao programa Conexão Rondoniaovivo da última sexta-feira (31) os bastidores da indústria de marketing digital e o cenário político de Rondônia.
Antes de ver seus vídeos de humor viralizarem na internet, Andrade trabalhou por três anos nas obras de construção da Usina Hidrelétrica de Jirau – sendo dois anos como auxiliar de serviços gerais e um na logística do canteiro. Sobrevivendo em um ambiente que descreve como hostil, o influenciador mantinha-se em silêncio e adotava apenas seu nome de batismo, José, para evitar virar alvo de discriminação.
“Lá na usina eu ficava quieto… José, quietinho, sem gracinha”. A observação comportamental desenvolvida neste período de isolamento serviu como matéria-prima para que Andrade criasse, anos mais tarde, as paródias de figuras típicas da noite de Porto Velho que o tornaram conhecido na internet.
Ética acima do lucro: a recusa das ‘bets’
Em um período de forte debate regulatório e denúncias sobre os impactos das plataformas de apostas online (as chamadas bets) na saúde financeira da população, Rato Andrade detalhou sua decisão de recusar contratos de patrocínio com cassinos virtuais. Ele relembrou que, quando alcançou a marca de 50 mil seguidores, recebeu uma proposta financeira substancial via direct.
“Chegou um valor que eu olhei e pensei: ‘Caramba, consigo pagar o IPVA do meu carro, consigo pagar minhas contas'”. No entanto, ao simular a gravação do anúncio em seu celular para testar como se sentiria promovendo a plataforma aos seus seguidores, optou por declinar do acordo: “Na hora que eu falei ‘plataforma nova’, eu parei e pensei: ‘Não, isso não é para mim’. Falei: ‘Ai, que desgraça, eu vou ser pobre, mas não dá'”.
O influenciador criticou abertamente figuras públicas que enriquecem induzindo suas bases de fãs ao endividamento e defendeu que a confiança de sua audiência não possui preço de mercado.
O ‘canto da sereia’ e a crítica da autopromoção política
A expressiva captação de engajamento do público jovem transformou Andrade em alvo de assédio partidário no estado. O humorista revelou ter sido procurado por três partidos políticos em 2026 com convites formais para ingressar nas nominatas proporcionais.
Andrade descreveu o método de cooptação das siglas como uma tática de inflar egos: “Eles chegam no teu ouvido dizendo que você é a voz que representa o povo. Se você tiver um eguinho frágil, vai embora, se sente o presidente do Brasil”. Ele criticou o despreparo de influenciadores que caem no “canto da sereia” e aceitam se candidatar à revelia de um projeto sério de sociedade.
Andrade também direcionou duras críticas a mandatários locais que utilizam recursos de emendas orçamentárias públicas como ferramentas de publicidade pessoal. “Eles fazem parecer que tiraram o dinheiro do bolso deles. ‘Eu dei, eu dei’. Você não deu nada, meu filho. Você está trabalhando para a gente, tá pegando o nosso dinheiro e só administrando. Você fez o mínimo”, disparou o humorista, condenando outdoors e ônibus estampados com fotos de políticos para fins de autopromoção.
Os limites do sensacionalismo e o ‘BBB da roça’
Rato Andrade relembrou o dilema ético que o levou a extinguir o perfil de fofocas locais ‘Rato News’. Em uma das publicações sobre uma suposta infidelidade conjugal, a mulher envolvida ligou-lhe chorando, de dentro do consultório de sua psicóloga, relatando o impacto psicológico da humilhação pública. O episódio fez o humorista “pisar no freio” e apagar o conteúdo imediatamente.
“Aí eu entendi que tem coisas que é melhor evitar. Eu não destruí um romance, quem destruiu foi quem traiu, mas a internet não é conversa de mesa de bar onde você fala o que quer e fica por isso mesmo”, pontuou.
Hoje estruturado como uma empresa formalizada, operando com CNPJ, emissão de notas fiscais, assistente de publicidade e cinegrafista, Andrade aponta que o mercado de influência da capital Porto Velho encontra-se saturado e repetitivo.
Para ele, a verdadeira inovação em Rondônia está no interior do estado, impulsionada por criadores do meio rural que mostram de forma autêntica o cotidiano de sítios e fazendas.
“É quase um ‘BBB da roça’. Ela acorda, faz o café, mexe com o gado, com o cavalo… Tudo o que é novo atrai o olhar”, concluiu o influenciador, que prometeu para o próximo sábado o lançamento de uma nova paródia de um político local conhecido como ‘Zé Touquinha’.

