“EMENDA MASTER”: LÍDER PETISTA NO SENADO USOU CARGO PARA BENEFICIAR BANCO MASTER, APONTA PF

Publicado em: 18/06/2026 09:59

Líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner é Alvo de Operação da PF por Envolvimento em Favorecimento ao Banco Master

Brasília, 18 de junho de 2026 — O senador Jaques Wagner (PT-BA), principal líder do governo Lula no Senado, voltou a estar no centro de um escândalo de influência política e favorecimento a interesses privados. A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com buscas e investigações diretamente ligadas ao parlamentar petista por irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição financeira que acumula denúncias de fraudes e que teve seu controlador, Daniel Vorcaro, preso.
Wagner é investigado por atuar nos bastidores para beneficiar o banco, inclusive por meio de conexões políticas e contratos milionários. Uma das frentes mais graves da investigação remete à chamada “Emenda Master”, proposta que tentava inflar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Banco Master, que captava recursos via CDBs de alto rendimento com a garantia do fundo público.
Embora a emenda tenha sido formalmente apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em agosto de 2024, durante a tramitação da PEC 65/2023, indícios colhidos pela PF apontam que o texto foi redigido pela assessoria do próprio banqueiro Daniel Vorcaro e repassado a Ciro Nogueira praticamente pronto. A emenda foi rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado por inconstitucionalidade e risco bilionário aos cofres públicos, mas o episódio expôs a proximidade entre o mundo político e os interesses do banco.
Jaques Wagner, mesmo não sendo o autor da emenda, aparece nas investigações como peça central do esquema maior. Relatórios da PF apontam que o senador teria atuado como fiador da contratação do ex-ministro Guido Mantega como consultor do Master, com remuneração de R$ 1 milhão por mês. Além disso, o escritório de advocacia ligado a Wagner e ao ministro Ricardo Lewandowski teria mantido contratos com o banco, e uma empresa da nora do senador teria recebido milhões de reais do Master.
As relações de Wagner com o banco não são novas. O petista tem histórico de proximidade com sócios de Vorcaro na Bahia e é acusado de usar sua influência como líder governista para proteger os interesses da instituição, que acabou liquidada pelo Banco Central em meio a graves irregularidades.
Críticas e repercussão
A nova fase da operação Compliance Zero reforça as críticas de que o PT, mesmo após anos de discursos contra o “fisiologismo” e a “velha política”, continua enredado em esquemas de favorecimento a banqueiros e empresários próximos ao poder. Jaques Wagner, figura histórica do partido e homem de confiança de Lula, surge mais uma vez como símbolo da distância entre o discurso petista e a prática no exercício do poder.
Até o momento, Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que as investigações são politizadas. No entanto, o volume de indícios — contratos, indicações, laços familiares e a própria “Emenda Master” — alimenta a percepção de que o líder governista teria atuado para defender interesses privados em detrimento do interesse público.
O caso segue em andamento e pode ter desdobramentos judiciais e políticos relevantes nas próximas semanas. A sociedade brasileira, mais uma vez, assiste a um poderoso do governo Lula ser investigado por uso de cargo e influência em benefício de um banco marcado por controvérsias.
Foto: Agência Brasil

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