Escola que usou dinheiro público para bajular Lula e ridicularizar cristãos é rebaixada

Publicado em: 18/02/2026 20:03
O que era para ser desfile virou palanque. A escola Acadêmicos do Niterói que decidiu transformar a Carnaval do Rio de Janeiro em ato político e lacração, exaltando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ridicularizando conservadores e cristãos com fantasias em forma de “lata de conserva”, acabou pagando caro e foi rebaixada.
A aposta em militância ideológica, com uso de recursos públicos, não convenceu os jurados na Marquês de Sapucaí. O resultado foi um tombo histórico e um prejuízo grande, financeiro e de imagem.
Quem fez carnaval de verdade foi a Unidos do Viradouro, que conquistou o título e levantou a avenida com espetáculo, técnica e enredo consistente. Na avenida, lacração não substitui quesito. E o público mostrou que nem tudo se resolve com discurso político em cima do samba.
Acho é pouco.
REBAIXAMENTO
A Acadêmicos de Niterói está rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. A escola, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile, terminou a apuração na última colocação.
Estreando na elite do carnaval carioca, a agremiação foi a primeira a desfilar no domingo e levou para a avenida o enredo “Do alto do mungulu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Ao fim da contagem, somou 264,6 pontos e acabou retornando à Série Ouro.
(📸: Rio Carnaval – Fotos: Eduardo Hollanda)

Acadêmicos de Niterói é rebaixada após desfile sobre Lula no Carnaval do Rio 2026

Desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou Lula. Foto: Alex Ferro/Riotour

A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada no Carnaval do Rio de Janeiro 2026 após receber notas baixas nos nove quesitos avaliados. Com raríssimas avaliações máximas, a escola terminou na última colocação do Grupo Especial, um ano depois de conquistar o título da Série Ouro e garantir vaga na elite da folia carioca.

Primeira agremiação a entrar na Marquês de Sapucaí no domingo (15), a novata apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que gerou debate desde o anúncio. O enredo destacou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir da figura de sua mãe, dona Lindu.

Abordou a infância no sertão de Garanhuns e a projeção internacional, ressaltando episódios da militância sindical, programas sociais e referências a personagens ligados à resistência durante a ditadura. Para parte do público e da crítica, a abordagem deixou em segundo plano o eixo familiar indicado na sinopse.

Palhaço que representou o ex-presidente Jair Bolsonaro no desfile. Foto: Alex Ferro/Riotour

Samba-enredo e equipe de criação

O samba foi interpretado por Emerson Dias e teve composição assinada por Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.

A letra percorreu a infância de Lula no sertão pernambucano, a migração para o Sudeste, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República. Também citou nomes como Zuzu Angel, Henfil e Rubens Paiva, além de referências a temas como combate à fome, soberania nacional e inclusão social.

Trechos do refrão ecoaram na Sapucaí:

“Quanto custa a fome? Quanto vale a vida?
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói o amor venceu o medo[…] Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”

Queda após ascensão

A Acadêmicos de Niterói havia celebrado em 2025 o acesso ao Grupo Especial, após vencer a Série Ouro. A expectativa era consolidar a escola entre as principais do carnaval carioca. O resultado, no entanto, interrompeu a trajetória ascendente.

Com o rebaixamento, a agremiação retorna à Série Ouro em 2027 e terá o desafio de reconstruir seu projeto artístico para tentar nova ascensão à elite do samba.

Desfile sobre Lula: petistas esperam pesquisas para medir desgaste entre evangélicos

Ala da escola de samba Acadêmicos de Niterói retrata ‘neoconservadores em conserva’. Foto: Reprodução/TV Globo

Lideranças petistas aguardam pesquisas para medir o impacto do desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre evangélicos após o episódio envolvendo o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio, conforme informações do Globo.

A avaliação interna é que, antes de qualquer reação pública, será preciso entender a dimensão do dano junto a esse eleitorado e, só então, definir gestos políticos para tentar reverter a situação.

O debate surgiu por causa de uma ala chamada “Neoconservadores em conserva”, que mostrava famílias dentro de latas com referências religiosas. Parlamentares ligados a bancadas religiosas criticaram a apresentação e ameaçaram acionar a Justiça.

O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), presidente da frente parlamentar católica, manifestou “indignação” e afirmou que há indícios de que o desfile tenha ultrapassado limites legais ao tratar de convicções religiosas.

Aliados de Lula avaliam que as críticas tendem a diminuir com o tempo, mas reconhecem que o episódio pode reforçar a rejeição histórica de parte do segmento evangélico ao PT. Dirigentes do partido também afirmam que não participaram da definição das alegorias da escola, que homenageou o presidente.

Estratégia depende de novos dados

Petistas defendem a realização de pesquisas nas próximas semanas para medir os efeitos do caso e orientar possíveis ações voltadas aos evangélicos. Na eleição de 2022, Lula já havia divulgado uma “Carta ao Povo Evangélico” reafirmando compromisso com a liberdade religiosa, estratégia que pode voltar a ser considerada.

O presidente do PT, Edinho Silva, rejeitou tentativas de responsabilizar Lula pelo desfile. “O presidente Lula sempre teve uma relação de muito respeito com a comunidade evangélica. Os líderes das igrejas sempre tiveram no presidente Lula um aliado na construção de políticas públicas para o fortalecimento das famílias brasileiras. Tentar desgastá-lo politicamente por conta das escolhas de alegorias da Acadêmicos de Niterói chega às raias do ridículo. O povo brasileiro merece um debate político mais qualificado”, afirmou.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, Lula tem 61% de desaprovação entre evangélicos, contra 34% de aprovação. No cenário geral, a avaliação negativa do governo aparece em 49%, ante 45% positiva. Lula está em viagem à Ásia e qualquer iniciativa mais concreta deve ocorrer apenas após seu retorno ao Brasil.

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