Estudo do Inep revela avanço histórico: quase metade dos cotistas conclui graduação em universidades federais
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Os dados do Censo da Educação Superior 2024 mostram que as políticas de cotas seguem ampliando o acesso e fortalecendo a permanência de estudantes no ensino superior público brasileiro.
O Censo da Educação Superior de 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), aponta um avanço significativo na trajetória acadêmica de estudantes que ingressaram por meio de ações afirmativas nas universidades federais e instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Segundo o levantamento, 49% dos alunos cotistas concluíram a graduação, percentual superior ao registrado entre os estudantes que ingressaram por ampla concorrência, que ficou em 42%. O resultado indica não apenas maior acesso, mas também um desempenho consistente desses alunos ao longo do curso.
Os dados também revelam o impacto acumulado das políticas de inclusão no ensino superior. Entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de estudantes ingressaram em instituições federais por meio de cotas, ampliando a presença de grupos historicamente sub-representados, como estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Somente em 2024, foram 133.078 ingressantes por essa modalidade.
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A maior parte desses alunos está matriculada em universidades federais, que concentraram mais de 110 mil estudantes cotistas no último ano analisado. As instituições da Rede Federal de Educação Profissional também registraram participação relevante, com mais de 22 mil matrículas.
O estudo ainda destaca o papel de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) na expansão do acesso ao ensino superior. Juntos, esses mecanismos já possibilitaram a entrada de cerca de 2 milhões de estudantes cotistas em cursos de graduação ao longo dos últimos anos.
No caso do Sisu, mais de 790 mil estudantes ingressaram em universidades públicas por meio da Lei de Cotas desde sua implementação. O Prouni, criado em 2005, já beneficiou mais de 1,1 milhão de estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Já o Fies, que passou a adotar recortes de ações afirmativas mais recentemente, contabilizou cerca de 29,6 mil ingressantes cotistas apenas em 2024.
A Lei de Cotas também passou por atualização em 2023, ampliando critérios de inclusão. Entre as mudanças, está a criação de cotas específicas para quilombolas e a redução do limite de renda exigido para determinados grupos, além da manutenção do requisito de que os estudantes tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública.
Outro ponto destacado foi a inclusão de escolas comunitárias vinculadas à educação do campo, ampliando o alcance da política e reconhecendo diferentes trajetórias educacionais dentro do sistema público.
Para especialistas do setor, os números reforçam que as políticas de ações afirmativas não apenas democratizam o acesso ao ensino superior, mas também contribuem para a permanência e conclusão dos cursos, reduzindo desigualdades históricas na educação brasileira.




