Ex-comandante da PM-RO denuncia que facção cobra ‘pedágio’ de provedores de internet
Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo, policial detalhou avanço do crime organizado sobre o comércio
Régis Braguin nasceu em Cascavel, município do Paraná, no ano de 1982. Aos três anos de idade, mudou para Ariquemes, em Rondônia. Ingressou na polícia de Rondônia no ano de 2002 na função de soldado. Assumiu o comando da corporação no mês de julho do ano de 2023. Deixou o cargo no mês de janeiro do ano de 2026.
Veja mais
A saída de Braguin aconteceu após pedidos de exoneração de deputados na Assembleia de Rondônia. Deputados citaram boletim de ocorrência de violência contra a esposa e infração de trânsito em direção de carro do governo. Em respostas, Braguin disse que o relato de agressão sofreu arquivamento na Justiça e que a recusa do teste de bafômetro gerou pagamento de multa.
Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo desta quarta-feira (22), ele anunciou projeto de candidatura de deputado federal pelo Republicanos. Na conversa, Braguin apontou falhas de punição de crimes no país.
“A gente vê que por mais que você invista, se dedique na estrutura, você vê que bate em limites e aí você vai entendendo que a ferramenta legal (…) está uma porcaria”, declarou. Ele criticou o ano de criação das leis de proteção do Brasil. “Temos como leis para garantir segurança no Brasil um código que foi criado em 1940”, afirmou – se referindo ao Código Penal Brasileiro (Decreto-lei nº 2.848/1940).
Facções e ‘pedágio’
Braguin relatou cobranças de taxas de donos de provedores de internet por partes de facções de crime. Ele disse que a soltura de homens de facções em audiências de custódia prejudica o trabalho de rua de polícias.
“Prendemos faccionados, alguns armados. Um deles (…) foi preso, foi levado à delegacia. Da delegacia ele foi para a audiência de custódia. Da audiência de custódia ele foi liberado”, contou.
Sobre embates de rua, Braguin indicou o uso de armas de fogo em abordagens. “A hora que ele vê que a bala vai comer, ele se arrepende, ele chora, ele foge”, pontuou. Ele indicou aumento de mortes nas cidades. “A gente tá vendo que o crime resolveu colocar o pescoço para fora”, relatou.
Sobre quadros de defesa, Braguin indicou a falta de certames de entrada de polícias no Estado. “São mais ou menos 12 anos pelo menos aí sem concurso público”, disse. Ele justificou que a falta de seleções causa limites de idades de 44 anos a 50 anos em praças da corporação. Sobre desvios de dinheiro de governos, Braguin deu a declaração: “Corrupção não tem partido, ela não tem ideologia”.
