Flávio abre mão de escolta da PF e aposta na Polícia do Senado

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal aos candidatos à Presidência colocou aliados em alerta. Integrantes do PL temem que a escolha torne o senador mais vulnerável durante atos de campanha, segundo informações da coluna de Malu Gaspar, no Globo.
Flávio decidiu permanecer sob a proteção da Polícia do Senado, responsável por sua segurança desde o início do mandato, em 2019. O pré-candidato afirma não confiar na atual direção da PF, comandada por Andrei Rodrigues, e declarou temer a presença de “infiltrados” capazes de acessar agendas, conversas privadas e estratégias eleitorais.
A pré-campanha sustenta que a Polícia do Senado é especializada na proteção de autoridades e dispõe de equipes de inteligência, veículos blindados, equipamentos modernos e armamentos de grosso calibre. Segundo a nota, os agentes responsáveis por Flávio receberam treinamentos no Brasil e no exterior.
Aliados mais pragmáticos, porém, contestam a avaliação de que a PF atuaria como um bloco alinhado ao governo Lula. Um interlocutor ouvido pela coluna afirmou, sem apresentar dados, que “mais da metade da PF é bolsonarista” e classificou como equivocada a desconfiança generalizada contra a corporação.
Nos bastidores, integrantes do grupo lembram que a Polícia Federal possui experiência específica na identificação de ameaças, na análise prévia de locais e na proteção de candidatos em grandes eventos e no contato direto com multidões. Jair Bolsonaro estava acompanhado por agentes da PF quando sofreu o atentado a faca em Juiz de Fora, em Minas Gerais, durante a campanha de 2018.
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Paiva, também afirmou que abrir mão da escolta representa um risco. Segundo ele, a PF mantém estrutura e capacitação permanente para a segurança de autoridades. A operação eleitoral da corporação prevê até 458 servidores treinados em proteção pessoal, direção defensiva, primeiros socorros, drones e salvamento.
A Polícia Federal não comentou especificamente a escolha de Flávio e informou que detalhes sobre efetivo, armamentos, equipamentos e protocolos são mantidos sob sigilo. O chefe da Polícia do Senado, Alessandro Morales, afirmou que a corporação já conhecia a decisão e que a equipe do pré-candidato poderá ser ampliada durante a campanha.
