GILMAR MENDES VAI À OFENSIVA CONTRA ZEMA E VIEIRA APÓS RELATÓRIO QUE PEDE SEU INDICIAMENTO

Publicado em: 21/04/2026 23:04

Ofensiva de Ministro do STF contra políticos sem investigações abertas gera reação e críticas internas

Ministros do Supremo Tribunal Federal mantêm listas atualizadas de parlamentares e políticos que já possuem inquéritos ou investigações em andamento em seus gabinetes, uma prática que revela um controle seletivo sobre quem pode ser alvo de ações judiciais na Corte.
De acordo com interlocutores próximos ao grupo, a recente ofensiva liderada por Gilmar Mendes contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o senador Alessandro Vieira tem como uma das motivações centrais o fato de que ambos ainda não contam com nenhum processo aberto no tribunal.
Como explicou um aliado dos ministros, “como esses dois não têm processos, não há como desengavetar algo. Então eles estão tentando dar um jeito de criar uma situação”.
A reação de Gilmar Mendes ganhou força após o relatório apresentado por Vieira na CPI do Crime Organizado, que pede o indiciamento de ministros do STF, incluindo o próprio Gilmar, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostas irregularidades no caso Banco Master.
Em resposta, Mendes pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue o senador por abuso de autoridade.
No caso de Zema, o ex-governador e pré-candidato publicou um vídeo satírico em que utiliza fantoches para ironizar decisões de Gilmar Mendes e Toffoli no mesmo escândalo. Diante disso, Gilmar enviou uma notícia-crime a Alexandre de Moraes solicitando a inclusão de Zema no inquérito das fake news, que tramita em sigilo. Moraes encaminhou o pedido para análise da Procuradoria-Geral da República.
A iniciativa, porém, gerou desconforto até mesmo entre aliados no próprio Supremo. Vários interlocutores alertaram os ministros para o risco de um tiro no pé: ao tentar silenciar críticas, o grupo pode acabar ampliando a visibilidade eleitoral dos alvos e aprofundando o desgaste da imagem da Corte junto à opinião pública, especialmente em um ano marcado por eleições para o Senado.
Essa sequência de ações expõe uma postura defensiva e retaliatória por parte de ministros que, em vez de enfrentarem com transparência as questionamentos sobre suas condutas, preferem mobilizar instrumentos judiciais contra quem ousa criticá-los.
A manutenção de listas de investigados e a tentativa de fabricar novos alvos contra quem ainda não está no radar reforçam a percepção de que o tribunal atua mais como instrumento de poder do que como guardião imparcial da Constituição.
Foto: Divulgação

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