Incêndio avança sobre território indígena no Amazonas, mata animais silvestres e ameaça comunidades Mura
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica
Queimadas atingem a Terra Indígena Paraná do Arauató há mais de 40 dias, provocam problemas respiratórios e mobilizam equipes estaduais e federais; Itacoatiara registrou queda no número de focos ativos, de 99 para 44 em dois dias.
Um incêndio que se prolonga há mais de 40 dias continua avançando sobre a Terra Indígena Paraná do Arauató, território tradicional do povo Mura, na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no interior do Amazonas. A situação preocupa moradores, que relatam a morte de animais silvestres, os danos à vegetação e os problemas de saúde provocados pela fumaça. Equipes estaduais e federais atuam no combate às chamas, que já atingiram parte do território indígena.
A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, que também trabalha como agente indígena de saúde, acompanha os impactos do incêndio e lamenta a destruição da fauna local. Segundo ela, animais como preguiças e pássaros tentam escapar das áreas atingidas, mas muitos acabam morrendo durante a fuga. A liderança descreve a situação como dolorosa para as comunidades, que dependem da preservação da floresta e dos recursos naturais do território.
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Além dos prejuízos ambientais, a fumaça afeta diretamente a saúde dos moradores das aldeias. De acordo com Aldenora, os sintomas incluem tosse seca e alergias, com preocupação especial em relação aos idosos e às pessoas com hipertensão e outros problemas de saúde. A cacica também alerta para os efeitos da destruição da vegetação sobre o clima local, destacando que a redução da cobertura florestal contribui para o aumento da sensação de calor.

Bicho-preguiça morto na região da Vila de
Lindóia, afetada por incêndio.
(Foto: Reprodução)
A estiagem e o ressecamento das áreas próximas aos lagos favorecem a propagação das chamas, segundo os relatos da liderança indígena. Enquanto o fogo continua sendo combatido, aeronaves reforçam as operações na região. Na quarta-feira (14), um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) sobrevoou a área do Rio Urubu e também atuou na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Sauim-de-Coleira, nas proximidades de Novo Remanso, onde outros focos de incêndio foram registrados. Uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas também opera na região desde segunda-feira (12).
Apesar da gravidade da situação, os dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontaram redução no número de focos ativos em Itacoatiara. Os registros caíram de 99, na segunda-feira (12), para 44, na quarta-feira (14). A diminuição indica uma redução dos focos ativos contabilizados no período, mas não significa que o incêndio na Terra Indígena Paraná do Arauató tenha sido totalmente controlado.
As ações de fiscalização também foram intensificadas diante das suspeitas de incêndios provocados. Em diferentes ocorrências no município, dez suspeitos foram identificados e notificados pelos órgãos responsáveis. Durante uma operação na região do Incra 2, próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Sauim-de-Coleira, duas pessoas foram flagradas e notificadas. A ação reuniu equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), da Defesa Civil de Itacoatiara, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Materiais foram apreendidos e destruídos, e os casos foram encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Em outra ocorrência, na região da Vila de Lindóia, bombeiros encontraram uma preguiça morta durante uma operação na zona rural. Os militares também localizaram sacas de carvão e controlaram um incêndio que avançava sobre uma área de mata. A suspeita de crime ambiental está sob investigação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Já o incêndio na região do Rio Urubu, que atinge o território tradicional Mura, continuava sendo investigado, sem suspeitos identificados até a publicação da reportagem.
Diante do avanço das queimadas no Amazonas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou ter notificado previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. As equipes realizam vistorias para verificar o cumprimento das medidas preventivas, e parte dos responsáveis já foi autuada por descumprimento das determinações. A força-tarefa federal concentra ações em municípios considerados críticos, como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara. Na terça-feira (13), o órgão informou ter extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que continuava combatendo outros oito focos ativos. Enquanto as operações prosseguem, os moradores da Terra Indígena Paraná do Arauató seguem preocupados com a preservação da floresta, a sobrevivência dos animais e os efeitos da fumaça sobre a saúde das comunidades.



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