Janja prepara carne de paca, uma das mais caras do Brasil
Monique Mello

Neste domingo (5), a primeira-dama Janja da Silva publicou um vídeo no qual ela aparece preparando um almoço de Páscoa, na companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cardápio foi carne de paca – um roedor de grande porte.
Janja conta que a carne presisou ficar dois dias no tempero com alho, tempero verde e ervas, “porque carne de caça pede ervas”.
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Após acompanhar o preparo, Lula aparece depois de já ter comido elogiando a esposa.
– Eu acabei de comer a paca. Eu duvido que algum lugar do país alguém já comeu uma paca tão gostosa como essa paca que eu comi hoje. Divina. Parabéns, Janjinha – disse.
Janja encerra a gravação pedido para participar do programa matinal de Ana Maria Braga, na TV Globo.
A carne de paca é considerada um produto nobre e de alto valor, com o quilo custando, em média, entre R$ 150 e R$ 290. Nos comnetários da publicação, Janja disse que foi “um presente de um produtor legalizado”.
A recente aparição da primeira-dama Rosângela Lula da Silva preparando carne de paca nas redes sociais levanta uma reflexão que vai muito além da legalidade.
É verdade: a legislação brasileira permite o consumo desse animal quando ele vem de criatórios autorizados e devidamente regularizados. Do ponto de vista estritamente jurídico, portanto, não há necessariamente ilegalidade. Mas a questão central não é apenas o que é legal é o que é eticamente responsável quando se ocupa um espaço público de enorme influência.
A paca é um animal silvestre profundamente associado às florestas brasileiras e historicamente alvo de intensa caça. Em muitas regiões do país, ela é uma das espécies mais perseguidas por caçadores. Quando figuras públicas de altíssimo alcance normalizam o consumo desse tipo de carne em um ambiente midiático, corre-se o risco de reforçar uma cultura que já pressiona demais a fauna silvestre.
O problema não está em uma refeição isolada. Está no símbolo que se cria.
Líderes políticos e suas famílias ocupam um lugar pedagógico na sociedade. Seus gestos mesmo os mais cotidianos têm efeito multiplicador. Quando esse gesto envolve um animal silvestre amplamente caçado, a mensagem transmitida pode ser interpretada como validação cultural de algo que ambientalistas e protetores da fauna lutam há décadas para conter.
Num país onde ainda se combate o tráfico de animais, a caça ilegal e a destruição de habitats, talvez o sinal mais prudente fosse outro: o de respeito, cautela e proteção à fauna brasileira.
Legalidade não encerra o debate moral.
Muitas coisas já foram legais na história e ainda assim profundamente questionáveis.A verdadeira pergunta, portanto, não é se pode.
É se deve.
Porque quando a floresta já perdeu tanto, até os símbolos importam!
