Jumentos criados no Piauí estão sendo exportados para a China por meio de frigoríficos especializados instalados na Bahia
Jumentos criados no Piauí estão sendo exportados para a China por meio de frigoríficos especializados instalados na Bahia, onde os animais são abatidos antes do envio ao mercado asiático.
De acordo com o médico-veterinário Reginaldo Veloso, aproximadamente mil jumentos oriundos do Piauí passaram por frigoríficos baianos habilitados para esse tipo de operação apenas nos últimos três meses. Antes do transporte, os animais são submetidos a rigorosos controles sanitários, incluindo exames que comprovam suas condições de saúde.
Após o abate, a carne é destinada ao consumo humano na China, enquanto a pele é utilizada na produção do ejiao, uma gelatina obtida a partir do colágeno extraído da pele fervida dos jumentos. O produto é amplamente empregado na medicina tradicional chinesa e possui elevado valor comercial.
Embora o ejiao seja utilizado há séculos para o tratamento de problemas como anemia, insônia e irregularidades menstruais, não existem comprovações científicas que atestem sua eficácia. Mesmo assim, o mercado movimenta bilhões de dólares todos os anos.
A crescente demanda, no entanto, tem gerado preocupações quanto à preservação da espécie. Dados do IBGE indicavam que o Brasil possuía cerca de 900 mil jumentos em 2013. Atualmente, as estimativas variam: projeções baseadas em dados da FAO apontam um rebanho superior a 730 mil animais, enquanto organizações de proteção animal e pesquisadores afirmam que esse número pode ter caído para aproximadamente 78 mil devido ao abate intensivo.
Em Amargosa, na Bahia, onde está localizado o principal frigorífico especializado no abate de jumentos do país, cerca de 1,2 mil animais são abatidos semanalmente, segundo relatos de funcionários da unidade.
O avanço dessa atividade reforça o debate entre os benefícios econômicos da exportação e a necessidade de preservar uma espécie considerada um dos maiores símbolos históricos e culturais do sertão brasileiro.
