Léo Moraes o prefeito Tik Tok que administra Porto Velho nas nuvens

Publicado em: 31/01/2026 18:19

Porto Velho vive uma curiosa disputa informal: quem passa mais tempo fora do gabinete, o ex-prefeito Hildon Chaves ou o atual, Léo Moraes. A ironia é que Léo construiu parte do seu discurso político criticando exatamente o que hoje pratica e, em alguns aspectos, com menos transparência. Quando Léo não esta viajando, está gravando vários takes para o seu reality diário.

Hildon Chaves viajou. Muito. Foi cobrado por isso. À época, a justificativa era a velha conhecida dos prefeitos brasileiros: Brasília, convênios, recursos, articulações. O roteiro era previsível, a crítica também. Léo Moraes surfou nessa insatisfação, prometeu presença, prometeu gestão próxima, prometeu não repetir os vícios do antecessor. Promessa feita, promessa quebrada.

Valendo uma cuia de tacacá do miguel: adivinha onde ele está hoje, neste exato momento? Viajando.

Em um levantamento rápido, nada sofisticado, cruzando agendas públicas, registros oficiais e aparições nas redes, é possível afirmar que Léo passou algo próximo de 20% do seu primeiro ano de mandato viajando. A diferença é que agora a viagem vem embalada em storytelling, reels bem editados e frases de efeito. O destino pouco importa; o que falta é transparência sobre custos, objetivos e resultados concretos para a cidade.

Mas o problema não é apenas a mala pronta. É o abandono do balcão.

Nesta semana, a Prefeitura de Porto Velho entrou em um estado quase anencefálico. Léo viajou e não transmitiu o comando à vice-prefeita. Não por descuido administrativo, mas por birra política. O bastão ficou no chão. A máquina seguiu funcionando no automático, sem chefe formal, sem despacho final, sem liderança institucional clara. É o tipo de atitude que não cabe nem em gestão amadora, quanto mais em governo que se diz técnico.

Curiosamente, dessa vez Léo saiu de férias com a família. Direito legítimo, claro. Mas chamou atenção não ter levado o seu pupilo de sempre, Parente, que também não pode ser encontrado pelas dependências de onde deveria dar expediente. Nem câmera, nem bastidor, nem lente escura. O descanso foi em modo privado, algo raro para quem transformou a vida pública em reality show permanente.

Enquanto isso, segue intocável o núcleo paralelo instalado dentro da Prefeitura: uma equipe inteira, bem remunerada, lotada oficialmente no município, mas dedicada quase exclusivamente às redes sociais do prefeito. Gente isolada operando como se Porto Velho fosse uma agência de marketing pessoal.

A pergunta que não quer calar é simples e incômoda: até onde vai a linha entre comunicação institucional e promoção pessoal? Quando metade das matérias oficiais trazem nome, foto e protagonismo do prefeito, não se trata mais de informar, trata-se de construir imagem. E imagem custa caro.

E não custa só em dinheiro. Custa institucionalidade, custa governabilidade, custa respeito às regras básicas da administração pública.

Porto Velho não precisa de um prefeito turista, nem de um influencer em tempo integral. Precisa de gestão, presença e, sobretudo, responsabilidade. Porque quando o governante passa mais tempo embarcando do que governando, alguém sempre acaba desembarcando em lugar nenhum.

GÉRI ANDERSON – COLUNA DA HORA

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