Médicos alertam que uso de cosméticos falsos pode causar danos à saúde
Médicos explicam que o uso contínuo dos produtos também pode gerar consequências de longo prazo. Saiba como identificar
O mercado de cosméticos é um dos mais fortes do país e alcança públicos de todas as idades. Ao lado dessa expansão, cresce também a oferta de produtos falsificados, facilmente encontrados no Brasil, que vão de maquiagens e perfumes a itens para o cabelo. O que muitas pessoas não percebem é que o uso desses produtos pode trazer riscos reais à saúde.
Médicos entrevistados pelo Metrópoles explicam que, ao contrário dos itens regularizados, cosméticos falsificados não passam por testes de segurança nem seguem padrões mínimos de higiene, o que abre espaço para reações adversas e infecções.
De acordo com a dermatologista Melissa Maeda, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, o contato com cosméticos falsificados pode desencadear uma série de problemas cutâneos.Irritações, dermatites alérgicas, queimaduras químicas e infecções estão entre as reações mais comuns. Em alguns casos, os danos podem deixar marcas permanentes na pele.
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O infectologista Gabriel Takahara, da Doctoralia, acrescenta que as infecções associadas ao uso desses cosméticos variam conforme o microrganismo presente na formulação. As mais frequentes são infecções de pele, como foliculite, impetigo, abscessos, feridas que não cicatrizam e piora da acne. Também são comuns infecções por fungos, que causam micoses, coceira, descamação e manchas”, afirma.

Segundo ele, pessoas com imunidade mais baixa ou pele lesionada podem desenvolver quadros mais graves, com risco de disseminação da infecção e necessidade de atendimento hospitalar.Regiões como olhos, lábios e mucosas representam um risco ainda maior. Takahara explica que essas áreas são mais sensíveis e têm menos barreiras naturais de proteção.
Por isso, produtos aplicados nessas regiões exigem controle rigoroso de qualidade, algo inexistente na produção de cosméticos falsificados. O uso contínuo desses produtos também pode gerar consequências de longo prazo. A dermatologista Melissa alerta que a exposição repetida a substâncias inadequadas pode resultar em alterações duradouras na pele e nos cabelos.

Fotos: Reprodução
“Podem surgir cicatrizes, manchas mais escuras ou mais claras que a pele, envelhecimento precoce, além de queda de cabelo, fragilidade dos fios e quebra excessiva”, afirma.Cosméticos falsificados costumam apresentar maior risco de contaminação porque são produzidos sem qualquer controle sanitário. Takahara explica que esses produtos geralmente utilizam matérias-primas de origem desconhecida e são fabricados em locais sem higiene adequada.
Segundo o infectologista, a evolução para quadros mais graves acontece principalmente quando o produto é aplicado sobre pele machucada, inflamada ou após procedimentos estéticos, como peelings, microagulhamento ou cirurgias. “O risco também é maior quando o cosmético é usado em olhos, mucosas ou áreas íntimas. Pessoas idosas, diabéticas, gestantes, pacientes oncológicos ou vivendo com HIV podem ter infecções mais intensas e difíceis de tratar”, alerta. O uso repetido do produto contaminado e a demora para buscar atendimento médico também contribuem para a piora do quadro.
Fonte: Metrópoles




