MPF processa Globo e pede multa de R$ 10 milhões; saiba o motivo
Paulo Moura

Um motivo incomum levou o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais a ingressar com uma ação civil pública contra a TV Globo: a forma como a emissora pronuncia a palavra “recorde”. O processo foi apresentado pelo procurador Cléber Eustáquio Neves, que pede, além de correções na programação, a aplicação de multa de R$ 10 milhões. A informação foi divulgada pela coluna Outro Canal, da Folha.
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Na petição apresentada ao Judiciário, o procurador defende que “recorde” é uma palavra paroxítona, ou seja, com tonicidade na sílaba “cor”, e não deveria ser pronunciada como proparoxítona, com intensidade na sílaba “re”. Para embasar o pedido, ele anexou trechos de programas da emissora, como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, nos quais apresentadores utilizam a forma considerada incorreta.
– A palavra “recorde” é paroxítona, com a sílaba tônica em cor: reCORde. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona. Leia-se RÉ-cor-de – diz o pedido.
O procurador argumenta ainda que a emissora “atua como um braço do Estado na difusão de informações” e que, “portanto, a utilização da norma culta da língua portuguesa não é uma opção estética, mas um modelo de qualidade e eficiência administrativa”.
Na ação, o MPF pede que a emissora faça uma retificação em rede nacional sobre a pronúncia da palavra em telejornais e programas esportivos, e solicita uma indenização de R$ 10 milhões por “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”. A Globo foi notificada antes do carnaval e ainda não apresentou defesa no processo.
