“Nenhum governador avançou tão pouco quanto Marcos Rocha”, dispara Daniel Pereira

Publicado em: 21/08/2026 17:26
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PORTO VELHO, RO – Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e conduzido excepcionalmente pelo comunicador e jornalista Ray Lavareda, que substitui temporariamente o titular durante sua viagem, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (21/08) recebeu o ex-governador de Rondônia Daniel Pereira para uma análise do cenário fiscal e administrativo do Estado, em meio à disputa eleitoral de 2026 e aos alertas apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) aos candidatos ao Governo.

 

 

Advogado, ex-deputado estadual, ex-vice-governador e ex-governador, Daniel Pereira contestou a interpretação de que o próximo chefe do Executivo encontrará Rondônia em uma situação financeira capaz de inviabilizar a administração. Para ele, embora os números apresentados pelo TCE revelem problemas que precisam ser enfrentados, a dívida estadual é administrável e não pode servir antecipadamente como argumento para justificar uma eventual falta de resultados do próximo governo.

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Durante a entrevista, Daniel afirmou que o relatório do Tribunal de Contas aponta questões verdadeiras, mas avaliou que os números precisam ser analisados em perspectiva e comparados com a capacidade financeira do Estado. Segundo ele, a dívida consolidada de Rondônia está na casa de R$ 5 bilhões e deve ser observada diante de um orçamento anual que, conforme citou, supera R$ 18 bilhões.

Na avaliação do ex-governador, o maior mérito do levantamento do TCE está justamente em permitir uma análise sobre a eficiência da atual gestão estadual. Foi nesse ponto que Daniel elevou o tom político e direcionou críticas ao governo Marcos Rocha.

“É um governo de oito anos que pegou o Estado na melhor condição da história. Nenhum governador que foi eleito conseguiu pegar o Estado em uma situação tão boa quanto o Marcos Rocha e nenhum governador avançou tão pouco quanto o Marcos Rocha”, declarou.

Daniel foi além e afirmou que, em determinados indicadores, Rondônia teria perdido posições conquistadas anteriormente. “O que ele deveria avançar para frente está passando para trás”, disse.

Entre os exemplos apresentados pelo ex-governador está a educação. Daniel lembrou que Rondônia já ocupou posição de destaque na Região Norte no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e afirmou que o Estado perdeu essa condição. Ele também direcionou críticas à evolução da estrutura hospitalar durante os últimos anos, sustentando que Rondônia vinha ampliando a oferta de leitos antes da atual administração.

Ao mesmo tempo em que utiliza o relatório do TCE para questionar o desempenho do governo Marcos Rocha, Daniel rejeita a leitura de que os números representem uma espécie de “herança maldita” para quem assumir o Palácio Rio Madeira em 2027.

Para ele, transformar o alerta fiscal em uma justificativa antecipada seria abrir caminho para que o próximo governador atribua eventuais dificuldades exclusivamente à administração anterior.

“Se não for desmistificado isso como eu estou tentando fazer aqui, nós já entregamos ao próximo governador um discurso pronto para ele não fazer nada: ‘eu peguei uma herança maldita’. Lero-lero de eleito incompetente. ‘Peguei uma herança maldita, então não deu para fazer nada’”, criticou.

Na sequência, Daniel afirmou que o candidato eleito deverá assumir a responsabilidade pelos resultados da própria administração, independentemente de ter ou não recebido seu apoio nas urnas.

“Quem vai se eleger governador este ano, com meu voto ou sem meu voto, daqui a quatro anos tem que falar: ‘eu peguei assim e deixei assim’. Isso tem que ser feito sem chororô antecipado”, afirmou.

Outro ponto central da entrevista foi a divisão do orçamento estadual entre Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas. Segundo Daniel Pereira, aproximadamente 20% dos recursos estaduais têm sido destinados aos chamados poderes e órgãos.

Para sustentar sua crítica, o ex-governador disse ter analisado os orçamentos de outros estados da Região Norte e estabeleceu uma comparação especialmente com Tocantins, por considerar que os dois estados possuem população e características econômicas semelhantes.

De acordo com os números apresentados por Daniel durante o programa, enquanto Rondônia direcionaria cerca de 20% do orçamento aos poderes e órgãos, Tocantins ficaria aproximadamente sete pontos percentuais abaixo. Na avaliação dele, essa diferença representaria cerca de R$ 1,34 bilhão no orçamento de 2026.

“Se nós adotássemos o mesmo percentual de Tocantins, hoje o governador Marcos Rocha teria, e o próximo governador terá, algo em torno de R$ 1,35 bilhão”, afirmou. Daniel projetou ainda que essa diferença poderia chegar a aproximadamente R$ 1,5 bilhão no próximo exercício.

O ex-governador também questionou a proporcionalidade desses repasses ao comparar a estrutura do Judiciário dos dois estados. Segundo ele, Rondônia possui 22 comarcas, enquanto Tocantins teria 43, apesar de o percentual destinado aos poderes e órgãos rondonienses ser superior.

A discussão avançou para a composição da dívida pública estadual. Daniel dividiu o passivo de Rondônia em diferentes blocos e resgatou, inicialmente, a dívida deixada pelo antigo Banco do Estado de Rondônia, o Beron, liquidado na década de 1990.

Ele afirmou que participou, durante seu período no Executivo, da renegociação dessa dívida e disse que o processo iniciado no governo Confúcio Moura foi concluído quando comandava o Estado, em 2018. Segundo Daniel, o pagamento mensal previsto anteriormente era de aproximadamente R$ 25 milhões e caiu para cerca de R$ 12 milhões.

“Eu renegociei a dívida para pagar R$ 12 milhões. Então você reduz R$ 13 milhões por mês”, declarou.

Daniel calculou que a renegociação proporcionou uma folga financeira de aproximadamente R$ 700 milhões durante a gestão seguinte. Para ele, o pagamento atual relacionado ao antigo Beron não representa uma ameaça à capacidade financeira de Rondônia.

Outro passivo abordado foram os precatórios. O ex-governador explicou que o Estado destina mensalmente 2,5% da receita corrente líquida ao Tribunal de Justiça para pagamento dessas obrigações. Apesar do montante acumulado, ele argumentou que a dívida já possui mecanismo definido de pagamento e está dentro da capacidade financeira estadual.

A previdência dos servidores também entrou na análise. Daniel relembrou problemas históricos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Rondônia (Iperon) e afirmou que medidas adotadas ao longo de diferentes governos permitiram enfrentar parte relevante do déficit previdenciário.

Segundo ele, decisões tomadas nas gestões de José Bianco e Confúcio Moura, algumas delas consideradas impopulares por envolverem aumento das contribuições previdenciárias, foram importantes para reorganizar o sistema e impedir que o problema alcançasse proporções ainda maiores.

Ao longo da entrevista, Daniel Pereira procurou separar duas discussões: a existência de desafios fiscais, reconhecida por ele, e a ideia de que Rondônia estaria financeiramente inviabilizada. Na visão do ex-governador, são situações distintas.

Com a campanha eleitoral avançando e a sucessão estadual no centro das articulações políticas, Daniel defendeu que os candidatos ao Governo conheçam detalhadamente as contas públicas antes de assumir compromissos com a população. Para ele, quem pretende administrar Rondônia precisa chegar ao cargo preparado para enfrentar os problemas existentes, sem transformar as dificuldades herdadas em justificativa para quatro anos de baixa execução.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA E AO VIVO AQUI:

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