O Príncipe de Taquari: Quando o Maquiavel de Rondônia tropeça na própria lambaça
Análise jornalística destrincha o abismo entre a autoimagem do governador Marcos Rocha como grande estrategista e o rastro de crises e atritos que marca o ocaso de sua gestão.
Por Redação Política
Na teoria política clássica, Nicolau Maquiavel ensinou que a manutenção do poder exige pragmatismo, leitura fria da realidade e, acima de tudo, o domínio sobre os próprios passos. No Palácio Rio Madeira, contudo, a interpretação da obra parece ter sofrido um curioso efeito colateral. O governador Marcos Rocha (PSD) há muito cultiva nos bastidores a convicção de que seria uma espécie de “Maquiavel rondoniense” — um estrategista genial capaz de mover as peças do tabuleiro estadual com precisão cirúrgica. O problema é que, da prancheta imaginária para a realidade das ruas e dos acordos quebrados, o que se vê é uma sucessão de lambaças políticas que ameaçam transformar sua biografia em um estudo de caso sobre isolamento institucional.
A narrativa do “governante xadrezista” ruiu diante do espelho retrovisor de sua própria administração. O que deveria ser um final de segundo mandato apoteótico transformou-se em um quebra-cabeça de atritos internos, trocas de partidos e rompimentos em série com aliados históricos.
O “Gênio” e o Tabuleiro em Chamas
A autopercepção de Rocha como um artífice político refinado esbarra frontalmente na crônica dos fatos recentes.
A dança das legendas: Na tentativa de blindar seu projeto de poder e ditar as regras da sucessão, o governador transitou por articulações controversas, culminando em idas e vindas partidárias que geraram mais confusão do que coesão na base governista.
O divórcio com a realidade aliada: A tentativa de impor um cordão umbilical em sua sucessão — exigindo subvenção política e obediência cega à sua narrativa de legado — gerou fissuras irreparáveis, evidenciando que a suposta “articulação de mestre” muitas vezes não passa de voluntarismo administrativo.
Isolamento na reta final: Ao tentar controlar todas as variáveis do processo eleitoral a partir de gabinetes fechados, o “estratégista” acabou por enfraquecer seu próprio arco de alianças, vendo sua influência derreter frente a novos cenários e lideranças emergentes.
O Príncipe sem Corte
Enquanto Maquiavel alertava para o perigo de o governante perder o controle da própria tropa, o chefe do executivo rondoniense colecionou episódios em que a gestão de crises deu lugar à própria crise. Rupturas com figuras-chave da máquina, rusgas públicas com pretendentes ao Palácio e o desgaste no diálogo com os setores produtivos e sociais desenham um cenário de desalinho crônico.
A autoproclamada genialidade política de Marcos Rocha esbarra em uma máxima implacável do jornalismo político: o poder real não se mede pelo que o governante acha que planejou, mas pelo rastro de estabilidade — ou caos — que ele deixa ao sair.
Ao fim e ao cabo, o “Maquiavel de Rondônia” corre o risco de entrar para a história não pelas manobras de alta precisão, mas pelo estrago gerado quando a ilusão de genialidade choca-se com a dura e inegociável realidade da política prática.
Fonte Redação Site Portal364

