Padre é denunciado ao MP por falar que Jesus ensina é que “homem é homem e mulher é mulher”.

Publicado em: 14/02/2026 12:46
O padre Francisco Wilson Ferreira da Silva Nascimento, de Quixadá (CE), foi denunciado por “transfobia” ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) por dizer, em homilia, que o que Jesus ensina é que “homem é homem e mulher é mulher”.
Ele foi denunciado pela Associação Cearense de Diversidade e Inclusão (ACEDI), no início do mês. A ACEDI alega que as manifestações do sacerdote “ultrapassam os limites da liberdade religiosa e de expressão, podendo configurar discurso discriminatório e de ódio, especialmente contra pessoas transgênero, grupo historicamente vulnerabilizado e alvo recorrente de violência simbólica e física”.
“Ainda que inseridas em contexto religioso, falas que negam identidades, reforçam estigmas e deslegitimam direitos podem contribuir para a naturalização da violência, do preconceito e da exclusão social, sobretudo quando dirigidas a partir de uma posição de autoridade moral e institucional”, disse a associação.
“Agora homem e mulher é pela ideia que você cria de você mesmo”, pregou o padre. “Não interessa o seu corpo feminino, não. Você colocou na cabeça: ‘Eu sou homem, e pronto!’, você é homem, e pronto! O homem botou na cabeça: ‘Eu sou mulher, e pronto!’, ele é mulher e pronto!”.
“Isso aí é a base do que se chama ideologia de gênero”, sobre a qual “a gente escuta tanto”.
Segundo o padre Nascimento, “isso é o plano daqueles que fazem o poder hoje. É ensinar isso para as crianças na escola”.
Para o advogado Maurício Romano, da União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP), “o sacerdote estava em seu templo, pregando aos fiéis em tom moderado, sem menosprezar qualquer grupo e pedagogicamente expondo a doutrina oficial da Igreja Católica, é, portanto, proselitismo religioso – que consiste em regular exercício de direito”.
“Esse direito é protegido pelo Acordo Brasil-Santa Sé e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas, antes de tudo, é um direito natural do sacerdote no exercício de sua função”, disse o jurista à ACI Digital.

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