PCC e CV usam programas federais para aplicar golpes digitais, diz TCU

Publicado em: 30/07/2026 10:30
Pessoa usando celular. Foto: reprodução

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou 1.770 anúncios fraudulentos que imitavam programas do governo federal para atrair vítimas de golpes digitais. O levantamento apontou o uso de símbolos oficiais, inteligência artificial e cobranças via Pix em fraudes atribuídas a redes ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Os auditores analisaram as publicações entre 10 e 21 de janeiro de 2025. Os anúncios exploravam programas voltados a pessoas endividadas, aposentados e famílias de baixa renda, com promessas de renegociação de dívidas, passagens aéreas baratas e valores supostamente disponíveis para saque.

Em 83,2% das peças examinadas, os criminosos usaram logotipos oficiais, cores associadas ao governo federal e artes copiadas de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal. O material buscava dar aparência de legitimidade às ofertas divulgadas em redes sociais.

As fraudes também recorreram à inteligência artificial para manipular voz e imagem de lideranças políticas em vídeos e anúncios. Fotos de filas em agências bancárias e mensagens de urgência integravam a estratégia para pressionar usuários a clicar em links ou iniciar atendimentos falsos.

O programa Desenrola Brasil. Foto: reprodução

Desenrola Brasil e Voa Brasil entraram na lista de alvos

O Desenrola Brasil apareceu entre os programas mais explorados. Anúncios falsos circulavam ao menos desde 7 de julho de 2024 e prometiam “limpar o nome” de inadimplentes, desde que eles informassem dados pessoais e pagassem taxas por Pix.

O Voa Brasil também sofreu clonagem logo após seu lançamento oficial. Desde pelo menos 25 de julho de 2024, criminosos ofereciam falsas consultas de elegibilidade e vendiam passagens aéreas inexistentes a aposentados do INSS.

O esquema incluiu ainda anúncios falsos sobre valores a receber e serviços do Banco Central. Mudanças recentes nas regras para envio de dados de transações Pix à Receita Federal ajudaram os golpistas a criar mensagens com tom de urgência e a induzir pagamentos.

O TCU alertou que as vítimas podem perder dinheiro e entregar informações usadas depois em clonagem de cartões e fraudes pelo WhatsApp. As transferências feitas via Pix abasteciam contas bancárias controladas pelas redes criminosas investigadas.

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