Pesquisa aponta que 22% dos brasileiros já receberam oferta para vender voto

Uma pesquisa Ipsos-Ipec aponta que 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido oferta para vender o voto em algum período eleitoral. O levantamento, encomendado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, também mostra que a maioria dos entrevistados não se sente segura para denunciar esse tipo de crime e não sabe quais canais deve acionar. Com informações do Globo.
A sondagem foi divulgada no contexto da campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, lançada pelo movimento para incentivar denúncias de corrupção eleitoral. Segundo os dados, cargos municipais aparecem como os mais associados às tentativas de coação de eleitores, principalmente vereadores, citados por 59% dos entrevistados que relataram abordagem. Prefeitos aparecem em seguida, com 43%.
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre a frequência da compra de voto nas cidades onde vivem. Para 39% dos entrevistados, esse tipo de prática ocorre “sempre”. Outros 30% afirmaram que ela acontece “frequentemente” ou “às vezes”, mesmo quando não foram diretamente abordados por candidatos ou cabos eleitorais.
A socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa, afirmou que parte da população ainda associa a compra de voto apenas à oferta de dinheiro. “Numa outra pergunta sobre o que é considerado compra de voto, três quartos da população citam a oferta de dinheiro, o que é óbvio, mas há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, disse. Ela completou: “Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como voto comprado, e sim como ‘favorzinho’”.

No recorte regional, o Nordeste registrou o maior índice de entrevistados que afirmaram ter recebido oferta para vender o voto, com 32%, dez pontos acima da média nacional. O Sudeste, região mais populosa do país, marcou 18%.
Para Chico Whitaker, cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, o tamanho dos municípios influencia o tipo de abordagem: “Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais ‘útil’, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades”. Ele acrescentou: “Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais ‘práticas’ para os candidatos”.
O levantamento indica que 62% dos entrevistados não sabem como denunciar uma tentativa de compra de voto, enquanto 52% dizem não se sentir seguros para fazer relatos às autoridades.
A legislação trata a prática como “captação de sufrágio”, caracterizada por “doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição”. A pesquisa foi realizada entre 4 e 8 de dezembro de 2025, com 2.000 entrevistas em 131 municípios, nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos no total da amostra.
