PF restaura mensagens apagadas no celular de Vorcaro ligadas a Toffoli

Publicado em: 11/02/2026 23:29
Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

A Polícia Federal (PF) recuperou mensagens apagadas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que fazem referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O aparelho estava protegido por senha, mas foi acessado pelos investigadores, que extraíram diálogos considerados relevantes para o avanço das apurações.

Segundo o Metrópoles, o conteúdo foi apresentado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e indica possíveis novas frentes de investigação envolvendo pessoas com e sem foro privilegiado. O material está sob sigilo judicial.

Toffoli é o relator do inquérito que apura suposta fraude de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo Banco de Brasília (BRB) junto ao Banco Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.Com base nas mensagens encontradas, a PF protocolou pedido de suspeição de Toffoli na relatoria do caso. Fachin determinou que o ministro se manifeste nos autos, que tramitam em segredo de Justiça. A informação sobre os diálogos apreendidos foi revelada por Daniela Lima e Fabio Serapião, do Uol.

Em nota, o gabinete de Toffoli declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”. A manifestação acrescenta que “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.

Fachada do prédio do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

O ministro reafirmou nesta quarta-feira que o pedido da PF é baseado em “ilações”. Segundo interlocutores, ele está “absolutamente tranquilo” e prepara esclarecimentos formais ao presidente do Supremo. Antes de o requerimento ser encaminhado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou pessoalmente a Fachin as informações extraídas do celular de Vorcaro.

Um pedido semelhante já havia sido encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral Paulo Gonet não deu andamento à solicitação. No Supremo, ministros avaliam que a prerrogativa para requerer suspeição seria da PGR, e não da PF.

Além das conversas encontradas no celular, vieram à tona informações sobre repasses financeiros ligados ao resort Tayayá. Toffoli afirmou a interlocutores que recebeu valores por ser sócio da empresa Maridt, vinculada ao empreendimento. Segundo o relato, ele integra há anos o quadro societário ao lado de familiares e os repasses ocorreram dentro dessa relação empresarial.

O nome do ministro não aparece em registros públicos da companhia porque a Maridt é uma Sociedade Anônima de capital fechado, modelo em que a identidade dos acionistas não é acessível a terceiros. Apenas dois irmãos constam formalmente como administradores.

Toffoli diz ter recebido valores como sócio de empresa vendida a fundo de Vorcaro

O Tayayá Aquaparque, resort de luxo em Ribeirão Claro (PR). Foto: reprodução


O ministro do STF Dias Toffoli afirmou a interlocutores que recebeu valores por ser sócio da empresa Maridt, ligada ao resort Tayayá. A declaração foi dada após o avanço de apurações da Polícia Federal sobre transferências financeiras envolvendo o magistrado. Com informações de Mônica Bérgamo, na Folha de S.Paulo.

Segundo o relato, Toffoli integra há anos o quadro societário da empresa ao lado de familiares. O ministro disse que os repasses ocorreram dentro dessa relação empresarial.

O nome de Toffoli não consta em registros públicos da companhia porque a Maridt é uma Sociedade Anônima de livro fechado. Nesse modelo, a identificação dos acionistas não é acessível a terceiros. Apenas dois irmãos aparecem formalmente como administradores.

O ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Fotomontagem

Toffoli afirmou ainda que todas as transferências foram lícitas, realizadas ao longo de diversos anos e declaradas à Receita Federal. De acordo com a versão apresentada, os recursos possuem origem e destino rastreáveis.

A Maridt detinha 33% do resort Tayayá, participação vendida em 2021 ao fundo Arleen. O fundo é citado em investigações relacionadas ao entorno empresarial de Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

O ministro também declarou que, posteriormente, o fundo teria negociado as ações com terceiros, com lucro. O magistrado acrescentou que deferiu pedidos da PF em investigações envolvendo Vorcaro.

Toffoli diz que pedido da PF para afastá-lo do caso Master é baseado em “ilações”

Dias Toffoli, ministro do STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira que o pedido de suspeição apresentado pela Polícia Federal (PF) para afastá-lo da relatoria do caso Master é baseado em “ilações”.

Em nota, o gabinete do ministro declarou que, juridicamente, a PF não tem legitimidade para formular esse tipo de pedido, por não ser parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. O conteúdo da manifestação será respondido por Toffoli ao presidente da Corte.

“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, diz o comunicado.

Antes de o pedido chegar ao ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira liquidada pelo Banco Central, que incluiriam menções a Toffoli.

O material está sob sigilo. Após receber os dados, Fachin encaminhou o documento para que o relator se manifeste sobre eventual conflito de interesse. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele está “absolutamente tranquilo” e que apresentará esclarecimentos formais.

O caso Master chegou ao STF após a defesa de Vorcaro alegar que a investigação mencionava um deputado federal, o que atrairia a competência da Corte por envolver foro privilegiado. Sorteado relator, Toffoli determinou que o inquérito passasse a tramitar no Supremo.

A decisão foi criticada por parlamentares da oposição. Um pedido anterior de afastamento do ministro foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A representação mencionava uma viagem de Toffoli a Lima, em avião de um empresário, na companhia de um advogado ligado a executivo investigado, além da venda de participação de um resort no Paraná por seus irmãos a um cunhado de Vorcaro.

Em entrevista recente, Rodrigues afirmou que a PF caminha para a conclusão do inquérito principal até 16 de março, prazo fixado por Toffoli. Segundo ele, as investigações seguem com foco definido, mas “sem descartar nenhuma hipótese” ou eventuais descobertas paralelas.

Compartilhar

Faça um comentário