Porto Velho ganha um ‘cérebro’ tecnológico para salvar a floresta da fumaça e do fogo

Publicado em: 20/03/2026 11:06

Enquanto a Amazônia engasga com a fumaça das queimadas e os rios sofrem com secas e cheias cada vez mais brutais, Porto Velho resolveu reagir com inteligência. Nesta quarta-feira (18), a cidade inaugurou o Escritório de Governança do Programa União com Municípios, uma espécie de “sala de máquinas” ambiental instalada no Prédio do Relógio. O objetivo é simples e ambicioso: transformar dados em ação, monitoramento em prevenção e burocracia em eficiência.

Não se trata de mais uma repartição qualquer. O escritório funciona como um centro de inteligência que integra tecnologia, planejamento e diferentes secretarias para enfrentar o desmatamento ilegal, os incêndios florestais e os eventos climáticos extremos. É a prefeitura deixando de apagar incêndios para evitá-los.

A iniciativa é fruto de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e está alinhada ao PPCDAm, o plano federal de combate ao desmatamento na Amazônia. Mais do que um gabinete, é um olho eletrônico sobre o território, capaz de gerar informações precisas sobre áreas urbanas e rurais, permitindo que a gestão pública aja com precisão cirúrgica.

— Hoje se instala o gabinete de governança dentro do programa União com os Municípios, que tornou possível captar recursos para melhorar o monitoramento, a fiscalização e o controle ambiental, além da prevenção a riscos climáticos — explicou o Superintendente da Defesa Civil, Dr. Marcos Berti.

A ideia é que cada pasta da prefeitura coloque técnicos para trabalhar de forma integrada. Secretarias como Agricultura, Infraestrutura, Economia e Defesa Civil vão compartilhar dados e planejar ações conjuntas. Não é só floresta: o escritório também vai ajudar na regularização fundiária, na assistência a agricultores familiares e até na limpeza de rios e estradas.

Nazaré Soares, coordenadora do ministério, resumiu o impacto:

— Vamos gerar informações qualificadas, com alto grau de precisão, para melhorar políticas públicas em áreas como drenagem, prevenção de incêndios e combate ao desmatamento ilegal. Isso permite uma atuação muito mais eficiente.

O assessor executivo da Secretaria de Governo, Cássio Vidal, lembrou que os efeitos das mudanças climáticas já são uma realidade dura na região: fumaça, seca, cheias. E completou:

— O escritório vem para orientar as ações da gestão, permitindo mais eficiência. A população vai sentir os benefícios com menos impactos desses problemas.

Com investimentos que ultrapassam R$ 16 milhões em Rondônia, a novidade coloca Porto Velho na rota da gestão territorial baseada em evidências. O prefeito Léo Moraes celebrou:

— Este é um momento que representa avanço na forma como organizamos nossas ações. Estamos estruturando uma gestão mais preparada, que usa informação e planejamento para proteger o meio ambiente, cuidar das pessoas e garantir um desenvolvimento equilibrado.

No meio de tanta destruição anunciada, Porto Velho tenta virar o jogo com tecnologia e bom senso. Resta saber se a política vai acompanhar o ritmo da ciência.

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