Documentos da Operação Compliance Zero apontam 74 ligações entre o senador e Augusto Ferreira Lima, além de lista com vinhos de luxo destinados a autoridades; investigação segue em andamento e os envolvidos negam irregularidades.
Relatórios da Polícia Federal, tornados públicos após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantar o sigilo da investigação, detalham a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. As informações integram a Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de favorecimentos e influência política.
Segundo a PF, foram identificadas 74 ligações telefônicas concluídas entre Jaques Wagner e Augusto Lima. Os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e somaram aproximadamente 5 horas e 30 minutos de conversa.
Os investigadores afirmam que havia uma preferência por chamadas de voz criptografadas, em vez da troca de mensagens de texto. No relatório, a PF registra que esse padrão reduziria a rastreabilidade das comunicações e, por isso, passou a integrar a análise da investigação.
Durante a perícia no celular de Augusto Lima, a Polícia Federal encontrou mensagens de sua secretária contendo uma lista intitulada “Lembranças de Final do Ano”, datada de dezembro de 2024. O documento relaciona o envio de garrafas de vinho de luxo, avaliadas entre R$ 2.500 e R$ 5.300 cada.
Entre os nomes citados na lista aparecem Jaques Wagner, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, o prefeito Bruno Reis e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.
A Polícia Federal ressalta que, embora os vinhos não representem os maiores valores financeiros identificados na investigação, o envio dos presentes pode indicar a concessão de vantagens a agentes públicos e políticos com influência em decisões de interesse do grupo investigado.
O relatório também menciona outras supostas vantagens atribuídas a Jaques Wagner, incluindo o empréstimo de aeronaves particulares, hospedagens em uma propriedade conhecida como “Ilha da Paixão” e a suposta aquisição oculta de um apartamento de alto padrão em Salvador. Essas informações seguem sob investigação.
Jaques Wagner nega todas as acusações. O senador afirma que nunca praticou qualquer irregularidade, sustenta que seu patrimônio possui origem lícita e declarada e diz confiar que o andamento do inquérito esclarecerá completamente os fatos.
Sobre a lista de presentes, a assessoria de Antonio Rueda informou que ele não recebeu as garrafas mencionadas pela investigação. Até a divulgação do relatório, os demais políticos citados não haviam se manifestado publicamente sobre esse ponto específico.
A Operação Compliance Zero continua em andamento, e o material divulgado corresponde às conclusões preliminares da Polícia Federal. Caberá ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal analisar os elementos reunidos, enquanto os investigados seguem tendo assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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