Samuel Costa propõe prova de conhecimento a rivais ao Governo de Rondônia: “Se não tirar nota maior que a de todo mundo nem candidato seria”

Publicado em: 15/04/2026 17:16

Por Redação | Rondônia Dinâmica As informações são do site Rondônia Dinâmica.

PORTO VELHO, RO – O pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, utilizou a primeira edição do podcast RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova e produzido pelo Rondônia Dinâmica em parceria exclusiva com o Informa Rondônia, para apresentar os pilares de sua pré-candidatura ao Palácio Rio Madeira, defender sua estratégia política para 2026 e lançar uma série de ataques contra adversários de diferentes espectros ideológicos.

A declaração de maior impacto da entrevista ocorreu quando Samuel afirmou considerar-se tecnicamente mais preparado que os demais nomes colocados na disputa sucessória estadual e desafiou os concorrentes a uma espécie de comparação pública de conhecimento sobre administração pública. Ao sustentar sua qualificação para governar o Estado, declarou: “Se tu fosse fazer uma prova de conhecimento com os seis pré-candidatos e falar assim: vamos ver quem tem mais condição de ter conhecimento técnico da máquina pública, administração, processo legislativo e organograma organizacional do governo do Estado, se eu não tirar uma nota maior do que a de todo mundo, eu nem candidato era.”

Questionado sobre como pretende disputar uma eleição em um Estado majoritariamente conservador sendo identificado historicamente com a esquerda, Samuel afirmou que não pretende abandonar suas convicções ideológicas, mas defendeu que a disputa estadual deve ser travada sob outra lógica política, distante da polarização nacional. Segundo ele, sua candidatura adotará como diretriz o lema “nem direita nem esquerda, pra frente”, buscando deslocar o foco do debate para temas ligados à gestão pública e à administração estadual.

Perguntado sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Samuel reafirmou alinhamento político com o chefe do Executivo federal e declarou que continua apoiando o petista no plano nacional, embora sustente que a eleição estadual não deva ser reduzida à dicotomia entre lulismo e bolsonarismo. “Eu votei no Lula, voto no Lula e continuarei votando nele por entender que, se ele não for a melhor opção para governar o nosso país, ele é a opção menos nociva”, afirmou.

Ao tratar da construção de sua candidatura, Samuel detalhou os motivos que o levaram a deixar a Rede Sustentabilidade e migrar para o PSB, legenda comandada em Rondônia por Vinícius Miguel. Segundo ele, a mudança decorreu da necessidade de corrigir erros estratégicos cometidos pelo campo progressista em eleições anteriores, quando candidaturas semelhantes teriam se fragmentado e perdido competitividade. O pré-candidato afirmou que a aliança com Vinícius Miguel busca justamente consolidar um projeto unificado para 2026. “Eu sou jogador reserva, eu quero muito jogar, mas reconheço que o Vinícius Miguel possui mais predicado, mais desenvoltura e talvez mais abertura. Eu acho que naquela debilidade que ele tem, que é o contato corpo a corpo com as pessoas, eu consigo complementar”, declarou.

Samuel afirmou ainda que a migração partidária foi construída de forma reservada para evitar reações antecipadas de grupos políticos tradicionais. Segundo ele, “Se eu viesse antecipadamente, os caciques eleitorais, os donos do poder, eles iam tentar inviabilizar o nosso projeto. A gente foi trabalhando na surdina e, no último dia, fez a filiação ao PSB.”

Em um dos blocos mais contundentes da entrevista, Samuel direcionou críticas ao prefeito licenciado de Cacoal e pré-candidato ao Governo pelo PSD, Adaílton Fúria. Ao comentar declarações anteriores de Fúria sobre sua condução durante a pandemia da Covid-19, afirmou que não se pode “romantizar matanças exacerbadas” e associou esse tipo de discurso às mortes registradas durante a crise sanitária. “Vamos perguntar das famílias enlutadas e perdidas seus entes queridos. No meu caso, meu avô, meu tio, meu primo, meu pai, familiares consanguíneos perderam a vida em detrimento da omissão do governo federal à época em não comprar as vacinas. Eu acho que quem faz isso com ânimo de querer enganar o rondoniense já está demonstrando má-fé de cara”, afirmou.

Ainda sobre Adaílton Fúria, Samuel questionou a atuação pretérita do adversário quando presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, sustentando que não identificou iniciativas concretas do então deputado estadual para enfrentamento da crise estrutural da saúde pública. “Eu não vi uma ação civil pública, um mandado de segurança, uma ação popular, uma audiência pública do Fúria quando ele foi deputado estadual por dois anos e presidia a Comissão de Saúde. E agora ele fala que vai resolver o problema da saúde. Resolver como?”, declarou.

Questionado sobre eventual resistência de setores do próprio campo progressista à sua ascensão política, Samuel afirmou que parte da esquerda tradicional ainda demonstra preferência por outros nomes e criticou o que classificou como seletividade interna na construção de candidaturas dentro desse espectro ideológico. Embora sem apontar nominalmente dirigentes do Partido dos Trabalhadores como responsáveis por rejeição direta à sua figura, o pré-candidato sugeriu que sua trajetória não recebe o mesmo grau de acolhimento dispensado a outros nomes do campo progressista e citou, de forma indireta, a tentativa de aproximação de setores da esquerda com figuras que, segundo ele, possuem histórico político contraditório com esse campo, mencionando o caso de Expedito Netto, pré-candidato ao Governo de Rondônia que, como deputado federal, votou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

Ao abordar sua relação com o próprio campo progressista, Samuel afirmou que parte da esquerda tradicional ainda resiste ao seu projeto político e criticou a forma como algumas candidaturas são construídas dentro desse espectro. Nesse contexto, voltou a atacar o ex-candidato à Prefeitura de Porto Velho Célio Lopes, a quem acusou de representar uma candidatura artificialmente produzida. “Quando tu faz um candidato ou um pré-candidato em laboratório, ele vira um Frankenstein, porque ele não tem identidade”, afirmou.

Na sequência, relativizou a votação obtida por Célio em 2024 e sustentou que o desempenho eleitoral do ex-candidato decorreu majoritariamente do eleitorado ideologicamente consolidado da esquerda, e não de capital político próprio. “Esse é o voto de esquerda, é um voto codificado já”, declarou.

Perguntado se não teme se tornar apenas mais um candidato de boa performance retórica sem conseguir transformar isso em vitória eleitoral, Samuel rejeitou a comparação com nomes historicamente periféricos no processo majoritário e relembrou debates eleitorais passados para sustentar que costuma se destacar em confrontos diretos. Nesse contexto, afirmou que seu desempenho em debate municipal teria sido decisivo para esvaziar a candidatura da ex-juíza e ex-candidata à Prefeitura de Porto Velho Euma Tourinho. “Eu tirei ela da disputa”, declarou.

Ainda nesse raciocínio, relatou ter sido comparado por aliados à Seleção Brasileira de 1986, em referência ao reconhecimento de desempenho técnico sem correspondente êxito eleitoral. “Me falaram: tu é a seleção brasileira de 86. Jogou muito, mas não ganhou nada”, afirmou.

Questionado sobre a aparente contradição entre seu posicionamento progressista e a defesa de um policial militar como vice em sua chapa, Samuel afirmou que a composição busca ampliar o diálogo com setores conservadores e de segurança pública. Ao justificar a escolha, sustentou que parte significativa da base operacional das corporações militares seria favorável a mudanças estruturais no modelo atual de segurança pública. “Os praças, em especial, eles mesmos são favoráveis sobre a desmilitarização das polícias”, declarou, ao argumentar que disciplina e hierarquia não dependem necessariamente de um modelo militarizado.

Ao longo da entrevista, Samuel também criticou campanhas eleitorais milionárias, questionou o modelo de atuação de parte da classe política estadual e afirmou que muitos mandatos são sustentados por entregas pontuais e construção de imagem, e não por soluções estruturais de longo prazo para os problemas do Estado.

Mesmo mantendo tom majoritariamente crítico, o pré-candidato reconheceu avanços pontuais da atual gestão estadual, citando programas como o Prato Fácil e ações de infraestrutura, embora tenha sustentado que a saúde pública segue como principal gargalo administrativo de Rondônia.

No encerramento da entrevista, Samuel adotou tom mais pessoal, afirmou estar em processo contínuo de amadurecimento político e humano, pediu perdão por declarações passadas que possam ter ofendido eleitores e disse que, caso seja eleito governador, exercerá o mandato em dedicação integral. “Se Deus me der a oportunidade de servir o Estado, eu vou me dedicar 24 horas, sete dias por semana, para se não resolver, ao menos minimizar o sofrimento do nosso povo. Ou eu quebro, ou eu sou quebrado”, declarou.

DEZ FRASES DE SAMUEL COSTA NO RD ENTREVISTA

01. “Vamos perguntar das famílias enlutadas e perdidas seus entes queridos. No meu caso, meu avô, meu tio, meu primo, meu pai, familiares consanguíneos perderam a vida em detrimento da omissão do governo federal à época em não comprar as vacinas.”

A declaração foi feita durante crítica à postura de Adaílton Fúria na pandemia e ao discurso de flexibilização adotado por lideranças alinhadas ao bolsonarismo.

02. “Eu acho que quem faz isso com ânimo de querer enganar o rondoniense já está demonstrando má-fé de cara.”

Samuel utilizou a frase ao sustentar que adversários exploram politicamente narrativas sobre a pandemia para agradar setores do eleitorado.

03. “Quando tu faz um candidato ou um pré-candidato em laboratório, ele vira um Frankenstein, porque ele não tem identidade.”

A fala foi direcionada às críticas que fez ao modelo de construção política de Célio Lopes dentro do campo progressista.

04. “Esse é o voto de esquerda, é um voto codificado já.”

Samuel afirmou que parte da votação obtida por candidatos progressistas decorre de base ideológica consolidada e não necessariamente de capital político individual.

05. “Os praças, em especial, eles mesmos são favoráveis sobre a desmilitarização das polícias.”

A declaração foi dada ao defender que sua escolha de um policial militar como vice não contradiz pautas progressistas.

06. “Se tu fosse fazer uma prova de conhecimento com os seis pré-candidatos (…) se eu não tirar uma nota maior do que a de todo mundo, eu nem candidato era.”

A fala foi usada para sustentar sua autodeclarada superioridade técnica frente aos demais postulantes ao governo.

07. “Eu não vi uma ação civil pública, um mandado de segurança, uma ação popular, uma audiência pública do Fúria quando ele foi deputado estadual por dois anos e presidia a Comissão de Saúde.”

Samuel questionou a atuação legislativa pretérita de Adaílton Fúria na área da saúde.

08. “Resolver como?”

A pergunta foi feita por Samuel ao desafiar propostas genéricas de adversários sobre solução para a crise da saúde pública.

09. “Ou eu quebro, ou eu sou quebrado.”

A frase foi utilizada no encerramento da entrevista para reforçar sua promessa de dedicação integral caso eleito.

10. “Quem já teve mandato, teve muito tempo para fazer algo para o povo.”

Samuel utilizou a declaração ao criticar políticos tradicionais e defender renovação no comando do Estado.
As informações são do site Rondônia Dinâmica.

Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/04/samuel-costa-propoe-prova-de-conhecimento-a-rivais-ao-governo-de-rondonia-se-nao-tirar-nota-maior-que-a-de-todo-mundo-nem-candidato-seria,242402.shtml

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