Sexo seguro no Carnaval: veja como se prevenir de doenças
Guia do sexo seguro no carnaval: ISTs, gravidez e consentimento

O carnaval é tempo de festa, encontros e liberdade, mas também pede atenção aos cuidados com o próprio corpo e com o do outro. Em meio à euforia, é fácil deixar de lado informações básicas sobre sexo seguro, prevenção de ISTs, risco de gravidez e a importância do consentimento claro e contínuo. Este guia reúne orientações essenciais para curtir a folia com prazer, responsabilidade e respeito, sem transformar o depois da festa em preocupação.
Camisinha sim!
Na festa da carne, não vale ir despreparado mesmo que não exista a intenção inicial de transar. Segundo Ana Paula Beck, ginecologista do Einstein Hospital Israelita, o preservativo é essencial para evitar Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada.
Erros comuns que reduzem a eficácia do preservativo incluem a colocação tardia (após início do contato genital) e o uso de lubrificantes oleosos com proteções de látex. “Armazenamento inadequado, uso de preservativos vencidos, rompimento por unhas ou dentes, e não segurar o preservativo na base durante a retirada”, Ana Paula exemplifica descuidos. “O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) recomenda atenção especial a esses pontos para maximizar a proteção.”
Tanto o preservativo masculino quanto o feminino oferecem níveis semelhantes de proteção quando usados corretamente e consistentemente. “O preservativo feminino tem a vantagem de ser de iniciativa da mulher, mas enfrenta barreiras de acesso e aceitação”, acrescenta a ginecologista.
“Além do preservativo, métodos contraceptivos como anticoncepcionais hormonais, DIU, implantes e injeções ajudam a prevenir gravidez indesejada, mas não protegem contra ISTs”, completa.
Curtição sem infecção
“Os principais cuidados preventivos contra ISTs durante o carnaval incluem uso correto e consistente de preservativos (externos e internos) em todas as relações sexuais”, resume Ana Paula. Então, antes de pensar em colocar a boca em membros de desconhecidos, lembre que a transmissão ocorre por qualquer troca de fluidos contaminados — seja com penetração e/ou ejaculação, ou sem.
A especialista ainda recomenda outros métodos: “Vacinação contra hepatite A, hepatite B e HPV, e evitar o compartilhamento de objetos cortantes ou perfurantes.” Embora a via sexual seja a principal forma de contágio, o contato sanguíneo também é um transmissor.
Ainda existe o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) e da profilaxia pós-exposição (PEP). Ana Paula esclarece: “A PrEP é indicada para pessoas com risco elevado de exposição ao HIV, como pessoas com múltiplos parceiros ou parceiros soropositivos. A PEP é indicada após exposição potencial ao HIV (relação desprotegida, violência sexual, acidente ocupacional). Ambas podem ser acessadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em serviços especializados.”
Álcool, drogas e pílula do dia seguinte
Durante o carnaval, não podemos ignorar que o consumo de álcool e drogas é incentivado e, consequentemente, a divulgação de cuidados específicos é importante. Conforme a especialista, tal consumo aumenta o risco de exposição a ISTs por reduzir o julgamento, aumentar comportamentos de risco e dificultar o uso correto do preservativo.
Nesse cenário, a pílula do dia seguinte surge como uma alternativa pós-descuido. “A pílula do dia seguinte pode ser usada com segurança após o carnaval, sendo indicada para situações de falha ou ausência de método contraceptivo”, argumenta Ana Paula. “Os riscos incluem alterações menstruais e, raramente, efeitos adversos; não há contraindicação absoluta para uso ocasional.”
Casos de hospital
Sinais após a relação sexual que indicam necessidade de procurar serviço de saúde incluem, de acordo com a ginecologista, lesões genitais, dor, corrimento, sangramento, febre, sintomas urinários ou exposição a situação de risco. “Beijo, sexo oral e contato íntimo sem penetração também podem transmitir ISTs, como herpes, sífilis, gonorreia, HPV e outras, especialmente se houver lesões ou contato com secreções”, reitera.
Consentimento
Para curtir o carnaval sem preocupações é essencial garantir um espaço de segurança e acolhimento nos bloquinhos. É isso que a campanha Folia com Respeito, criada por Letícia Helena, membro da Frente Ampla dos Blocos do DF, propõe ao colocar o combate ao assédio e à violência como parte central da organização da festa.
“É um protocolo aberto para blocos, plataformas, organizadores e fazedores de carnaval aderirem e, dentro dele, eles aceitam uma série de iniciativas que tomamos para ter um carnaval mais acolhedor e seguro, que é o que almejamos”, explicou Letícia ao Podcast do Correio. Segundo ela, o documento funciona como um guia de boas práticas que orienta desde a conduta das equipes até a forma de acolhimento do público.
Foi no carnaval de 2016 que a proposta surgiu, em resposta de combate a casos de assédio e violência sexual registrados nos bloquinhos, que acometem principalmente as mulheres e o público LGBTQIAPN. É importante que nenhum organizador, por exemplo, esteja respondendo por racismo, homofobia, LGBTfobia ou alguma questão relacionada à violência contra a mulher”, destacou. Os blocos que entram na campanha assumem o compromisso de realizar treinamento com as equipes para que saibam respeitar e receber o público diverso.
O Carnaval é sinônimo de diversão, mas também exige cuidado. Afinal, a falta de sexo pode prejudicar a saúde, mas manter a saúde é fundamental. Por isso, conheça os principais métodos de prevenção ao HIV para aproveitar a festa com segurança.
Com 46,4 mil novos casos de HIV em 2023, a prevenção é a palavra de ordem. É preciso entender as opções gratuitas que o SUS oferece para proteger a saúde sexual.
Preservativos, PrEP, PEP e testagem rápida são algumas das formas de prevenção. Saiba como combiná-las e aproveitar o Carnaval sem preocupações.
Gazeta de S. Paulo
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Por que a prevenção ao HIV é importante no Carnaval?
O Carnaval é uma época de celebração, mas também de maior exposição a riscos. Em 2023, o Brasil registrou 46,4 mil novos casos de HIV, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior.
Jovens de 15 a 24 anos são os mais afetados. Por isso, a prevenção é fundamental para curtir a folia sem colocar a saúde em risco.
Felizmente, o SUS oferece métodos gratuitos e eficazes para evitar a transmissão do vírus. Informação e cuidado são as melhores formas de proteção.
Preservativo: clássico e eficaz
O preservativo é o método mais conhecido e acessível para prevenir o HIV e outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Ele é distribuído gratuitamente pelo SUS e deve ser usado em todas as relações sexuais.
Além de seguro, o preservativo é fácil de carregar e usar. Ele protege não só contra o HIV, mas também contra outras infecções, como sífilis e gonorreia.
“O preservativo é essencial, mas hoje temos outras opções que podem ser combinadas para aumentar a proteção”, explica o infectologista e diretor médico da GSK/ViiV Healthcare, Rodrigo Zilli.
PrEP: prevenção antes da exposição
A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é um medicamento que reduz o risco de infecção pelo HIV. Disponível no SUS, ela é indicada para pessoas com maior exposição ao vírus.
Além da versão oral, já aprovada no Brasil, há a PrEP injetável, aplicada a cada dois meses. Apesar de eficaz, a versão injetável ainda não está disponível no SUS.
“A PrEP dá mais liberdade de escolha, mas deve ser usada com orientação médica para garantir boa adesão”, reforça Zilli.
PEP: emergência após situações de risco
A PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma medida de emergência para quem passou por situações de risco, como sexo sem camisinha ou violência sexual.
Ela deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição e usada por 28 dias. Quanto antes começar, maior a eficácia.
“A PEP é uma forma de minimizar as chances de infecção após um possível contato com o vírus”, explica o especialista.
Testagem rápida: conheça seu status
Fazer testes rápidos de HIV regularmente é essencial para quem tem vida sexual ativa. Eles estão disponíveis gratuitamente no SUS e dão resultados em poucos minutos.
Saber seu status sorológico ajuda a tomar decisões conscientes sobre sua saúde e a de seus parceiros.
“A testagem é um dos pilares da prevenção combinada. Ela permite detectar o vírus precocemente e iniciar o tratamento”, diz Zilli.
Prevenção combinada: a chave para a segurança
A prevenção combinada usa diferentes métodos ao mesmo tempo para aumentar a proteção. Ela inclui preservativos, PrEP, PEP, testagem e tratamento para quem vive com HIV.
“Quando as estratégias são usadas de forma combinada, as chances de infecção pelo HIV diminuem consideravelmente”, afirma Zilli.
Essa abordagem permite escolher as melhores opções de acordo com o estilo de vida e necessidades de cada pessoa.
Como se proteger no Carnaval?
Leve preservativos e use em todas as relações sexuais. Se você faz parte de grupos de maior risco, considere a PrEP.
Em caso de exposição ao vírus, procure a PEP imediatamente. E não se esqueça de fazer testagem regularmente.
Com informação e cuidado, é possível curtir o Carnaval com segurança e sem preocupações.
Curta a folia com responsabilidade
O Carnaval é uma festa que merece ser aproveitada com alegria e segurança. Use os métodos de prevenção ao HIV disponíveis e proteja sua saúde.
“Os métodos de prevenção são para qualquer pessoa com vida sexual ativa. A escolha certa garante bem-estar e proteção”, finaliza Zilli.
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