Surto de Ebola preocupa a OMS; veja as chances de chegar ao Brasil

Publicado em: 20/05/2026 11:35
Ilustrativo
Imagem em microscópio do vírus Ebola. Foto: Divulgação/CDC

O risco de o atual surto de Ebola chegar ao Brasil é considerado muito baixo por especialistas, apesar do alerta internacional emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A avaliação é do infectologista André Bon, coordenador de Infectologia do Hospital Brasília, que afirma não haver motivo para preocupação imediata no país, em entrevista à CNN Brasil.

A OMS declarou o surto causado pela cepa Bundibugyo do vírus da Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda como emergência de saúde pública de importância internacional. O órgão informou que a situação não atende aos critérios de emergência pandêmica, mas exige resposta coordenada por causa do risco de propagação regional e das dificuldades de contenção nas áreas afetadas.

O avanço da doença ocorre principalmente na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, perto da fronteira com Uganda. Até esta terça-feira (19), autoridades congolesas registravam ao menos 131 mortes suspeitas, mais de 500 casos suspeitos e 33 casos confirmados no país, além de dois casos confirmados em Uganda.

Segundo Bon, o histórico recente indica risco reduzido para o Brasil. Ele lembrou que, mesmo durante a epidemia de 2014, que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa em escala muito maior, não houve circulação do vírus em território brasileiro. “A gente não teve casos chegando ao Brasil, ou tampouco um número de casos relevante chegando a outras partes do mundo”, afirmou.

Ebola pode chegar no Brasil?
Médico verifica a temperatura de militares em zona de quarentena no Congo. Foto: Arlette Bashizi/Reuters

O infectologista destacou que o Ebola não se transmite pelo ar, como vírus respiratórios. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e sintomáticas. O Ministério da Saúde também informa que a doença só é transmitida após o aparecimento dos sintomas.

A contenção de eventual caso importado dependeria de identificação rápida, isolamento seguro e monitoramento dos contatos. Para Bon, a estrutura hospitalar e de vigilância epidemiológica do Brasil favorece uma resposta adequada. “Existindo algum caso no Brasil, ele sendo rapidamente identificado, é muito provável que a gente conseguiria conter esse surto de maneira adequada”, disse.

O principal desafio, por ora, está nos países afetados. A OMS aponta dificuldades de acesso, atraso no diagnóstico, circulação de outras doenças com sintomas semelhantes e necessidade de reforçar rastreamento de contatos, isolamento de pacientes e enterros seguros. O vírus Bundibugyo também não tem vacina aprovada específica, embora cuidados de suporte precoce aumentem as chances de sobrevivência.

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