Trump afirma que o Brasil não tem enfrentado de maneira suficientemente agressiva a expansão das facções

Publicado em: 16/09/2026 16:08

O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Brasil ao criticar a atuação do governo Lula no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), duas das maiores organizações criminosas do país.

Em documento encaminhado ao Congresso americano, a administração de Donald Trump afirma que o Brasil não tem enfrentado de maneira suficientemente agressiva a expansão das facções, apontadas pelos americanos como responsáveis por ampliar a participação brasileira nas rotas internacionais de cocaína.

A pressão ganha peso porque, desde 5 de junho, PCC e Comando Vermelho passaram oficialmente a integrar a lista americana de Organizações Terroristas Estrangeiras. A decisão permite aos Estados Unidos ampliar sanções financeiras, bloquear recursos vinculados aos grupos, perseguir redes internacionais de financiamento e aplicar instrumentos da legislação antiterrorismo.

Washington afirma que as duas organizações representam uma ameaça crescente à segurança regional e cobra medidas mais duras para impedir sua expansão.

Apesar do tom severo, o Brasil não foi incluído entre os 23 países classificados pelos Estados Unidos como principais produtores ou corredores internacionais de drogas. Ainda assim, a crítica direta ao combate brasileiro às facções aumenta a pressão diplomática sobre Brasília.

A classificação como organizações terroristas também reacendeu o debate sobre até onde os Estados Unidos poderiam chegar no combate aos grupos fora de seu território. Especialistas já discutiram a possibilidade jurídica de operações internacionais em determinados cenários, especialmente quando Washington considera que organizações classificadas como terroristas representam ameaça aos interesses americanos.

Até o momento, entretanto, não existe anúncio oficial de intervenção militar americana no território brasileiro. O que existe é uma mudança significativa de postura: PCC e Comando Vermelho deixaram de ser tratados pelos EUA apenas como organizações criminosas e passaram a ser enquadrados dentro da estrutura jurídica utilizada no combate internacional ao terrorismo.

Fonte: Gazeta do Povo; Departamento de Estado dos Estados Unidos; Federal Register.

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