Trump prepara cúpula com líderes da América Latina em Miami no dia 7 de março em meio a novo foco geopolítico
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O presidente dos Donald Trump anunciou que realizará uma reunião de cúpula com líderes latino-americanos em Miami, marcada para o dia 7 de março, em um momento de intensa reconfiguração das relações entre os Estados Unidos e países da América do Sul, Caribe e América Central.
A Casa Branca ainda não divulgou a pauta oficial da reunião nem confirmou formalmente os convites, mas fontes diplomáticas ouvidas pela AFP indicam que chefes de Estado da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras devem ser chamados para o encontro.
Fontes oficiais dos governos citados — assim como da própria administração americana — ainda não comentaram publicamente a iniciativa. A cúpula acontece em um cenário político complexo.
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No fim do ano passado, os Estados Unidos revisaram sua estratégia de segurança nacional, resgatando uma postura inspirada na chamada Doutrina Monroe, que busca limitar a influência de potências consideradas “hostis” na região e reafirmar a hegemonia americana nas Américas — algo que analistas e meios internacionais passaram a chamar de “Donroe Doctrine”, combinação do nome de Trump com o antigo princípio geopolítico norte-americano.
Esse reposicionamento foi observado em diversas ações recentes, como a operação militar dos EUA que culminou na captura do presidente Venezuelano Nicolás Maduro no começo de janeiro, um movimento que repercutiu mundialmente e foi justificado pelo governo americano como aplicação de sua política hemisférica.
Desde então, Washington tem feito movimentos diplomáticos e estratégicos na região, incluindo negociações sobre o setor petrolífero venezuelano, refletindo uma mudança de rumo em relação ao país vizinho.
A escolha dos convidados reflete em grande parte líderes que mantêm posições alinhadas com o governo americano: O presidente salvadorenho Nayib Bukele tem cooperação estreita com Trump em temas migratórios. O equatoriano Daniel Noboa já manifestou interesses em estreitar laços militares com Washington.
No Paraguai, Santiago Peña expressa afinidade com políticas pró-EUA. Na Argentina, o presidente Javier Milei é visto como entusiasta da agenda americana e um dos defensores do encontro.
Rodrigo Paz, novo presidente da Bolívia, também figura entre os potenciais participantes, representando uma guinada política após décadas de governos de esquerda na nação andina.
A temática migratória deve figurar entre os principais tópicos — inclusive porque a questão, um dos pilares das políticas de Trump, tem suscitado debates e tensões com governos regionais, dada a complexidade e os desafios sociais, econômicos e humanitários envolvidos.
A realização da cúpula de Miami ocorre em meio a tentativas do governo americano de redefinir seu papel no continente, enfatizando sua influência e buscando consolidar alianças em áreas sensíveis como segurança, migração e cooperação econômica.
Especialistas observam que a iniciativa pode ser vista não apenas como um encontro diplomático tradicional, mas como uma expressão da estratégia externa americana para os próximos anos.




