TRUMP SOBRE O BRASIL NO G7: “ESTÁ MEIO DESAGRADÁVEL” POR CAUSA DE PCC E CV; “PAÍS PERIGOSO POLITICAMENTE”
Publicado em: 17/06/2026 16:10
Declaração do presidente americano ocorre em meio à designação de facções brasileiras como organizações terroristas e ao aumento das tensões entre washington e brasília
Paris — Em meio à cúpula do G7 na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não poupou críticas ao Brasil ao comentar a escalada do crime organizado e as tensões bilaterais com o governo Lula. Segundo relatos da coletiva de imprensa, Trump afirmou que conversou com o presidente brasileiro e descreveu o país como um lugar que está se tornando “um pouco duro politicamente. Um pouco perigoso politicamente. Está meio desagradável”.
A declaração ocorre no momento em que a administração Trump formalizou a designação do
Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, medida que entrou em vigor no início de junho. A decisão americana, vista como um duro revés para a diplomacia brasileira, permite sanções financeiras, congelamento de bens e maior atuação contra as redes das facções que atuam também nos Estados Unidos.
Analistas apontam que o governo Lula pagou o preço por uma política de segurança criticada internacionalmente por sua leniência. Apesar de entregar documentos e prometer cooperação durante visita à Casa Branca, o Planalto não conseguiu impedir a medida, que foi impulsionada por pressão de opositores brasileiros e reforça a imagem de um país onde o crime organizado ganhou espaço significativo nos últimos anos.
Além da humilhação simbólica, o Brasil enfrenta agora o risco concreto de tarifas adicionais de até 25% sobre exportações para os Estados Unidos. As medidas comerciais, justificadas por Washington como resposta ao narcotráfico e desequilíbrios comerciais, ameaçam setores importantes da economia brasileira em um momento de fragilidade.
No G7, Lula e Trump evitaram interações calorosas. Fotos oficiais mostraram os dois líderes sem cumprimento público, enquanto o presidente brasileiro usou discursos para criticar o protecionismo e o unilateralismo americano, sem citar Trump diretamente. A postura defensiva reforça a percepção de isolamento: o Brasil, convidado por
Emmanuel Macron, viu-se mais uma vez na defensiva diante de um cenário internacional que cobra resultados concretos no combate ao crime.
A sequência de eventos — da designação terrorista à declaração explícita de Trump — expõe os custos de uma estratégia que priorizou confrontos retóricos com potências estrangeiras em vez de entregar segurança interna efetiva. Para muitos observadores, o “meio desagradável” mencionado pelo líder americano reflete não apenas o avanço das facções, mas também o desgaste da imagem do Brasil no exterior sob a atual gestão.
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