PL questiona pesquisa da AtlasIntel no TSE após inclusão de áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e ausência de questionamentos sobre reunião de Lula com Daniel Vorcaro
Brasília – O Partido Liberal (PL) protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o instituto AtlasIntel por suposta manipulação da opinião pública na mais recente pesquisa presidencial, divulgada nesta terça-feira (19).
A legenda denuncia desequilíbrio e indução negativa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
A controvérsia gira em torno da inclusão, no questionário eletrônico da pesquisa, da reprodução integral de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O material, oriundo de vazamento publicado pelo The Intercept Brasil, refere-se a tratativas privadas para captação de recursos destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Aliados do senador classificam a inserção como uma “excentricidade ilegal” que configura propaganda eleitoral antecipada disfarçada e indução ao eleitor.
Críticos apontam que o instituto optou por tocar o áudio para os entrevistados e perguntar se a conversa era “terrível, neutra ou excelente”, mesmo que a reprodução tenha ocorrido após as perguntas de intenção de voto. A medida teria contribuído para a queda registrada nos números de Flávio, que perdeu pontos no segundo turno simulado contra o presidente Lula.
O que mais chama atenção, segundo a oposição, é a assimetria no tratamento dos fatos.
Enquanto o áudio de Flávio foi exposto aos entrevistados, a pesquisa não incluiu nenhuma pergunta equivalente sobre a reunião do presidente Lula com Daniel Vorcaro, realizada fora da agenda oficial. Para o PL e aliados, essa omissão cria um desequilíbrio evidente que induz o eleitor a erro e favorece um dos lados da disputa.15
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, classificou a conduta do AtlasIntel como tentativa clara de manipular o eleitorado com recursos privados.
A legenda cobra do
TSE multa pesada ao instituto e a anulação ou correção dos efeitos da pesquisa, argumentando que o levantamento compromete a lisura do processo eleitoral ao transformar um questionário em instrumento de desgaste seletivo.
A AtlasIntel defende que a pesquisa foi registrada regularmente no TSE e que o bloco sobre o caso Vorcaro serviu apenas para medir o impacto do episódio, sem interferir nos cenários eleitorais principais.
No entanto, a polêmica reforça críticas recorrentes sobre a atuação de alguns institutos, acusados de atuar mais como atores políticos do que como medidores neutros da opinião pública.
O episódio expõe as tensões da pré-campanha de 2026 e levanta dúvidas sobre os limites éticos e legais do uso de áudios vazados em levantamentos eleitorais. A decisão do TSE sobre a representação do PL pode definir precedentes importantes para o restante do ciclo eleitoral.
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