Você acredita nesta frase do Lula?“ninguém pode ficar impune” e que quem tiver cometido irregularidades deve ser investigado e julgado.

Publicado em: 16/09/2026 16:05

Após a tumultuada sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais defender que todos os envolvidos no caso Banco Master sejam investigados e responsabilizados. Em entrevista, Lula afirmou que “ninguém pode ficar impune” e que quem tiver cometido irregularidades deve ser investigado e julgado.

A declaração, porém, chama atenção diante de um episódio relatado anteriormente pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo a publicação, um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, que reuniu Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria tratado de medidas para fragilizar o ministro André Mendonça.

O encontro teria ocorrido cerca de um mês antes da sessão do STF que colocou Moraes e Mendonça no centro de um intenso embate. Agora, após o episódio, Lula defende rigor nas investigações e afirma que todos devem responder por eventuais irregularidades.

A situação gerou críticas e questionamentos nas redes sociais sobre a postura do presidente diante dos acontecimentos envolvendo ministros da própria Corte.

Novas mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso na Operação Compliance Zero, voltaram a chamar atenção nas redes sociais. Em uma conversa com o empresário Flávio Carneiro, de abril de 2024, Vorcaro afirmou que um interlocutor identificado por ele como “cara da PF” teria dito: “pode cometer o crime que for kkkkk”.

A conversa ocorreu enquanto Vorcaro estava em Londres para o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master que reuniu diversas autoridades. Segundo as reportagens, entre os participantes estavam o então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de ministros do STF, STJ e TSE. Não há, porém, confirmação sobre quem seria o “cara da PF” mencionado por Vorcaro.

Na troca de mensagens, Carneiro brinca que poderiam criar uma lei contra Vorcaro e até prendê-lo. O então banqueiro responde com aparente tranquilidade, atribuindo a um suposto contato na PF a garantia de que poderia cometer qualquer crime.

O conteúdo rapidamente ganhou repercussão e levantou questionamentos nas redes sobre a relação de Vorcaro com autoridades e sobre a possível existência de uma suposta proteção. Até o momento, a mensagem, por si só, não comprova que algum a gente da Polícia Federal tenha efetivamente feito a afirmação

A crise aberta no Supremo Tribunal Federal deixou de ser apenas uma disputa jurídica. A sessão de 15 de setembro expôs publicamente divergências entre ministros, acusações recíprocas, discussões em plenário e impasses sobre investigações relacionadas ao caso Banco Master. O julgamento terminou sem solução definitiva depois de Flávio Dino pedir vista.

O próprio presidente do STF, Edson Fachin, já havia reconhecido a existência de decisões conflitantes e sobrepostas capazes de causar, segundo suas palavras, grave prejuízo à ordem e à integridade institucional da Corte. Cármen Lúcia também manifestou constrangimento diante do episódio e pediu desculpas à sociedade pelo ambiente criado no tribunal.

É nesse cenário que cresce nas redes a percepção de que parte da população estaria “anestesiada”. Depois de anos de confrontos políticos, investigações, decisões controversas e denúncias sucessivas, episódios que em outros momentos provocariam enorme repercussão parecem disputar atenção com a próxima crise do dia.

“O povo tem que se revoltar contra o STF. O povo não faz a menor ideia do que está acontecendo”, escreveu um internauta. A declaração representa uma opinião e não pode ser confundida com convocação à violência. A cobrança legítima em uma democracia ocorre por meio de fiscalização pública, imprensa, manifestações pacíficas e dos mecanismos institucionais previstos em lei.

O problema central, porém, permanece: quando integrantes da mais alta Corte do país passam a discutir publicamente procedimentos, suspeições e a atuação dos próprios colegas, a confiança institucional inevitavelmente entra no debate.

Discordar do Supremo não significa atacar a democracia. Da mesma forma, defender a instituição não exige tratar seus integrantes como imunes a questionamentos. Transparência, prestação de contas e respeito às mesmas regras exigidas dos demais poderes são fundamentais justamente para preservar a credibilidade de quem possui a palavra final sobre algumas das decisões mais importantes do país.

Enquanto Brasília mergulha em mais uma disputa interna, a pergunta levantada nas redes permanece: quantas crises são necessárias até que acontecimentos extraordinários deixem de parecer rotina?

Fontes: Folha de S.Paulo, Reuters, UOL e Poder360.

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