Geógrafo chama de “mito” tese sobre chuvas na Amazônia e diz que floresta só será preservada se gerar riqueza As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Em entrevista ao Resenha Política, Lito Casara criticou a condução do debate ambiental no país, contestou a relação direta entre desmatamento e redução das chuvas na Amazônia e defendeu que a conservação da floresta depende da geração de renda e oportunidades para quem vive na região
A entrevista concedida pelo geógrafo Lito Casara ao podcast Resenha Política trouxe à tona posições que desafiam parte dos consensos predominantes no debate ambiental brasileiro. Ex-secretário de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, Casara afirmou que a preservação da Amazônia não pode ser tratada apenas sob a ótica da restrição e da fiscalização, defendendo que a floresta precisa estar inserida de forma efetiva na economia regional para permanecer conservada.
Uma das declarações que mais chamou atenção ocorreu quando o geógrafo contestou a tese de que o avanço do desmatamento levaria inevitavelmente ao desaparecimento das chuvas na região amazônica. Para ele, o tema exige uma análise mais aprofundada e menos influenciada por discursos políticos, sustentando que a relação entre clima e cobertura florestal é mais complexa do que costuma ser apresentada ao público.
“Nós aprendemos que se a gente desmatasse a floresta amazônica, nós não teríamos chuvas. Isso é um mito.”
Ao longo da conversa, Casara também criticou a forma como parte das políticas ambientais tem sido construída. Segundo ele, produtores rurais frequentemente aparecem no centro das cobranças, enquanto recebem pouca assistência para conciliar produção e preservação. Em sua avaliação, tratar o agricultor como adversário da agenda ambiental é um erro estratégico que dificulta a própria conservação dos recursos naturais.
“Não existe empreendimento agrícola ou agropecuário de sucesso sem observar as demandas ambientais.”
O geógrafo defendeu que a Amazônia deixe de ser vista apenas como um patrimônio a ser protegido e passe a ser encarada como uma plataforma de desenvolvimento baseada em conhecimento, tecnologia e aproveitamento sustentável da biodiversidade. Para ele, o potencial econômico de frutas nativas, insumos farmacêuticos, cosméticos e produtos florestais ainda é subaproveitado, mesmo diante da crescente demanda global por ativos ligados à floresta.
“Se a gente não estiver ganhando dinheiro com cada folha que cai, com cada asa da borboleta, a gente está perdendo a oportunidade de conservar.”
Ao citar experiências vivenciadas durante sua atuação na área ambiental, Casara argumentou que comunidades que conseguem obter renda dos recursos naturais tendem a preservar mais e degradar menos. A lógica, segundo ele, é simples: quando a floresta gera valor econômico para quem vive nela, passa a existir um interesse direto em sua manutenção.
As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/06/geografo-chama-de-mito-tese-sobre-chuvas-na-amazonia-e-diz-que-floresta-so-sera-preservada-se-gerar-riqueza,247246.shtml.
