Quem é o rondoniense presidente do CFM intimado por Moraes a depor na PF

Publicado em: 08/01/2026 09:50

José Hiran, presidente do CFM. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O bolsonarista presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, deve ser ouvido pela Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O depoimento está relacionado à abertura de sindicância no CFM para apurar suposta falha de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O procedimento foi posteriormente anulado por Moraes.

José Hiran da Silva Gallo é médico ginecologista e obstetra. Ele se formou pela Universidade do Estado do Pará (UFPA) e tem longa atuação em entidades médicas. Foi vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Rondônia e ocupou cargos na direção do CFM em diferentes períodos.

Gallo preside o CFM desde 2022. Assumiu inicialmente após eleição suplementar e, em 2024, foi reeleito para mandato que se estende até 2029. Sob sua gestão, o conselho publicou normas e posicionamentos em temas ligados à pandemia, aborto legal e prática médica.

Durante a pandemia de covid-19, Gallo adotou posições contrárias ao uso de máscaras. Em 2023, o CFM enviou ofício à Anvisa afirmando que o uso do equipamento poderia representar “sinalização de virtude” e “ideologia”. O posicionamento gerou reação de entidades científicas.

Jair Bolsonaro e o presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo. Foto: Divulgação/CFM

No tema do aborto legal, o CFM, sob sua presidência, editou norma que restringia procedimentos em casos de interrupção de gravidez após 22 semanas. A regra foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Em audiência no STF, Gallo também declarou que “a autonomia da mulher” sobre o próprio corpo tinha “limite” e afirmou que o método de assistolia fetal seria “uma crueldade”.

Em artigo publicado em 2018, ele escreveu que “a esperança venceu o medo” ao se referir ao resultado eleitoral. Na pandemia, defendeu Bolsonaro afirmando que o presidente não deveria ser responsabilizado pela crise e declarou: “Se ele cometeu deslizes na comunicação dessa crise, por outro lado, não se pode ignorar que seu Governo se desdobrou para aumentar a oferta de leitos de internação e de UTI”.

Flávio chama Moraes de “negacionista” após decisão contra sindicância do CFM

Flávio Bolsonaro dando entrevista - Metrópoles

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou, na noite desta quarta-feira (7/1), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “negacionismo” e de desrespeitar a ciência médica ao anular a sindicância aberta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para apurar a assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bolsonaro bateu a cabeça em um móvel durante a madrugada em sua cela e só foi levado ao Hospital DF Star cerca de 24 horas depois. Ainda nesta quarta-feira, o médico Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente no hospital e na PF, afirmou que os exames feitos confirmaram traumatismo craniano leve após a queda. 

Por meio da rede social X (antigo Twitter), o filho “01” de Bolsonaro afirmou que a decisão do magistrado ignora protocolos básicos da medicina e coloca a vida do ex-presidente em risco. Ele também saiu em defesa do CFM e afirmou que a nota da entidade é “óbvia” ao destacar que a burocracia não pode se sobrepor ao cuidado com a vida humana.

“Alguém que bate com a cabeça num armário, em estado de sonolência na madrugada, precisa ser levado imediatamente a um hospital para exames e análise médica. Isso é C-I-Ê-N-C-I-A […] A burocracia proposital — e paranoica — de Moraes não pode se sobrepor à medicina e ao cuidado com a vida de um ser humano”, escreveu Flávio.

Para o senador, é “inaceitável que Bolsonaro tenha sido levado a um hospital apenas 24 horas após o acidente”. Flávio também afirmou que não há a mínima condição de Bolsonaro permanecer sozinho durante a noite em uma cela trancada sem acompanhamento contínuo.

“Bolsonaro poderia ter sido encontrado morto pela manhã. É essa a torcida de Moraes contra Bolsonaro?”, questionou Flávio.

Segundo o senador, a defesa jurídica do ex-presidente trabalha para obter prisão domiciliar humanitária, alegando falta de bom senso do relator do caso. Ao final da nota, Flávio também cobrou um posicionamento do presidente do STF, Edson Fachin, sobre a conduta de Moraes.

Alexandre de Moraes é NEGACIONISTA!

A nota do Conselho Federal de Medicina é óbvia ao dizer que a burocracia proposital – e paranoica – de Moraes não pode se sobrepor à medicina e ao cuidado com vida de um ser humano: alguém que bate com a cabeça num armário, em estado de… pic.twitter.com/DrSWvN3Ioc

— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 7, 2026

Decisão de Moraes

Na noite desta quarta-feira, Moraes declarou nula a sindicância instaurada pelo CFM e proibiu qualquer procedimento semelhante no âmbito da entidade, tanto em nível nacional quanto estadual. O ministro afirmou que o conselho não tem competência para apurar atos da PF.

“É flagrante a legalidade e a ausência de competência correcional do Conselho Federal de Medicina em relação à Polícia Federal”, escreveu Moraes, ao citar “desvio de finalidade” e “total ignorância dos fatos”.

Fonte: Conteúdo republicado de METRPOLES – BRASIL

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